Governo já articula aumento do mínimo com Congresso13/Mar, 22:25 Por Tânia Monteiro Brasília, 13 (AE) - O governo já está articulando o aumento do salário mínimo com o Congresso, mas ainda não decidiu se antecipará o anúncio do reajuste, previsto apenas para o final de abril. Hoje, duas reuniões foram realizadas no Palácio da Alvorada, para tentar avançar nas negociações e analisar as alternativas de fontes para pagar o reajuste, que poderá incluir o Refis. Para amanhã à tarde, ficou marcada uma nova reunião, desta vez no Planalto, com as presenças do presidente e do relator da comissão do mínimo, deputados Paulo Lima (PFL-SP) e Eduardo Paes (PSDB-RJ). Hoje, Paes esteve à noite no Alvorada, dando início às negociações efetivas com o presidente. Pela manhã, o presidente havia se reunido com os integrantes do governo que estão na linha de frente da negociação do mínimo. "O presidente elogiou a linha de ação da comissão que está em busca de fontes de recursos para o pagamento do reajuste do mínimo", declarou o deputado Eduardo Paes, ao final da reunião com Fernando Henrique e o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, que durou mais de uma hora. Na reunião, o presidente prometeu apresentar os números definitivos do impacto do reajuste nas contas públicas e as fontes de financiamento. O deputado, no entanto, não quis revelar detalhes do encontro, alegando que o presidente pediu sigilo em relação à conversa. Depois de passar uma semana fora de Brasília, sendo obrigado a falar diariamente sobre o aumento do mínimo e desmentindo que o governo estivesse admitindo chegar ao valor pretendido pelo PFL, de pelo menos R$ 177, o presidente decidiu tomar a frente nessa discussão. Convocou os ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Planejamento Martus Tavares, da Casa Civil, Pedro Parente, da Previdência, Waldeck Ornélas, da Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes, além do líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira, para discutir os números e as fontes de recursos possíveis. Foi analisada ainda a conveniência política de anunciar o reajuste antes do previsto. O presidente queria saber se não era melhor se esperar os resultados da arrecadação do primeiro trimestre para depois falar em números de mínimo, ou se antecipar o anúncio se não iria encerrar a polêmica ou apenas alimentá-la e servir de base de pressão sobre o governo. Na reunião de hoje com a equipe do governo, foram apresentadas ainda várias simulações de impactos dos reajuste. Divergências - À tarde, o presidente comandou a reunião de coordenação política no Planalto e saiu de lá convencido de que deveria conversar com a comissão do mínimo. O presidente deverá apresentar amanhã à comissão os números que se esperam ser verdadeiros de impacto. O deputado Eduardo Paes se queixou ao presidente de que há divergências entre os dados apresentados por Ornélas e pelo secretário-executivo do Planejamento, Guilherme Dias, quanto ao impacto do reajuste para R$ 177. Para Ornélas, o impacto será de R$ 4 bilhões, para Dias, será de R$ 8 bilhões. Fernando Henrique prometeu o número certo para amanhã. Na reunião de amanhã, o presidente colocará toda a equipe do governo envolvida com estudos sobre o mínimo à disposição da comissão da Câmara, para que se possa chegar a um valor máximo razoável, que não gere inflação, que não quebre o governo e nem provoque um aumento nas taxas de juros.

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