Governo israelense aprova retirada do Líbano até julho
Governo israelense aprova retirada do Líbano até julho5/Mar, 18:02 Jerusalém, 05 (AE-AP) - O gabinete israelense aprovou hoje (05) por unanimidade proposta do primeiro-ministro Ehud Barak de retirar as tropas do país do sul do Líbano até julho, pondo fim a 22 anos de ocupação. Um comunicado emitido após reunião de cinco horas e meia de Barak com os ministros destaca que o governo vai atuar de modo que a desocupação ocorra como resultado de um acordo de paz (numa referência implícita à Síria, que controla de fato o Líbano), mas deixa claro que as tropas poderão retirar-se unilateralmente para a fronteira libanesa, de onde garantirão a segurança do norte de Israel. No caso de não haver condições para a saída por meio de um acordo, "o gabinete discutirá no momento adequado como pôr em prática a decisão", salienta o texto. O primeiro-ministro do Líbano, Selim Hoss, manifestou satisfação com o anúncio e dúvidas sobre a sinceridade de Israel. "Mesmo que a decisão israelense seja uma manobra, nossa posição sempre foi favorável à retirada, em cumprimento à Resolução 425 do Conselho de Segurança da ONU, que estipula a saída incondicional", disse Hoss. "Mas preferimos que seja feita como parte de um acordo, porque não acreditamos nas intenções de Israel." Já o chanceler iraniano, Kamal Kharrazi, anunciou que seu país não abandonará o grupo guerrilheiro Hezbollah, o qual luta contra a ocupação israelense. O Irã apóia política e financeiramente o Hezbollah, que Kharrazi descreveu como "uma organização política no regime libanês". O porta-voz de Barak, Gadi Baltiansky, destacou que, qualquer que seja o cenário, as tropas sairão até julho. "Há outras opções, além do acordo com a Síria ou a retirada unilateral", disse. Ele não entrou em detalhes sobre as alternativas. Altos funcionários israelenses comentaram que o país pode tentar obter um conjunto de garantias internacionais em questões como a fronteira final e a segurança da milícia aliada de Israel, o Exército do Sul do Líbano. O objetivo de Israel é firmar um acordo com a Síria para evitar ataques do Hezbollah. Em dezembro, israelenses e sírios retomaram conversações de paz, após anos de relações tensas, mas em meados de janeiro as negociações cessaram, com as duas partes se acusando pelo impasse. Hoje, em Hebron, na Cisjordânia, cerca de 2 mil estudantes de grupos contrários aos acordos de paz com Israel manifestaram-se em favor do Hezbollah e pela libertação de colegas presos pela Autoridade Palestina. Em Israel, as autoridades reforçaram a segurança em áreas públicas, por temer atentados.





