Rio- Em 2006 o Ministério da Saúde vai investir R$ 170 milhões na implantação da nova política de atenção ao câncer, elaborada para aumentar a capacidade de diagnóstico da doença. Segundo o diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luiz Antonio Santini, no Brasil, 60% dos tumores são detectados nas fases mais avançadas, reduzindo a possibilidade de tratamento e aumentando os gastos públicos.
A expectativa é de que a reorganização das ações atuais possam, por exemplo, reduzir à metade a incidência e a mortalidade por câncer de colo do útero, em um prazo entre cinco e sete anos, segundo o ministério. Para o ano que vem, são estimados quase 20 mil registros deste tipo de tumor, que é facilmente tratável quando diagnosticado na fase inicial. Em relação ao câncer de mama - a neoplasia mais frequente, com 48 mil novos casos esperados para 2006 - há previsão de 30% de queda na mortalidade, em oito anos.
Cerca de R$ 80 milhões dos 170 milhões do orçamento de 2006 serão para a implantação de 16 novos centros de atenção ao câncer, informou o secretário de Atenção à Saúde do ministério, José Gomes Temporão. O restante vai para a ampliação de procedimentos e serviços e também para políticas específicas de tumores de colo do útero e mama.
Para fazer com que os profissionais do Programa de Saúde da Família, de postos e ambulatórios estejam preparados para diagnosticar a doença, o Inca vai promover cursos de capacitação à distância. ''Muitas das lâminas de exames (de colo do útero) são feitas de forma inadequada'', observou.
A mudança a ser feita pelo ministério prevê a inclusão de todos os níveis de assistência da rede pública nas ações de prevenção e diagnóstico da doença, sejam equipes do Programa de Saúde da Família, ambulatórios ou unidades de alta complexidade. ''A taxa de mortalidade por câncer de colo do útero pode ser utilizada como um indicador da qualidade do serviço de saúde, pois ela é uma doença que pode ser erradicada'', observou Santini.

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