Governo investe em campanhas agressivas para combeter o fumo
Rio, 24 (AE) - Na terra de Marlboro, os homens se encontram, fumam - e morrem de câncer no pulmão. Essa é, em linhas gerais, a idéia de uma das peças publicitárias que o Ministério da Saúde pretende divulgar a partir de 31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco (cujo tema este ano, é "Patrocínio livre de fumo"), dentro da estratégia de aumentar a agressividade das campanhas oficiais sobre o tema. Segundo o ministro da Saúde, José Serra, um outdoor vai lembrar que um dos atores que participavam do anúncio, que associava masculinidade, aventura e até boa saúde, ao ato de fumar, morreu da doença. "O cowboy do Marlboro pegou câncer", declarou o ministro, em tom irônico. "Ele, que recomendava fumar, porque estaria associado à vida saudável; imagina que mentira". O anúncio marcou durante décadas a propaganda na televisão brasileira, mostrando vaqueiros em ação, naturalmente fumando, e o lema: "Terra de Marlboro: onde os homens se encontram". Agressividade - Serra defendeu que, no caso do cigarro, as campanhas do governo tenham "o máximo de agressividade dentro da lei" e lamentou a lentidão do Legislativo para examinar uma proposição que limita a publicidade de tabaco. "Mandamos projeto para o Congresso ampliando a proibição da propaganda de cigarro na televisão, mas o Congresso até hoje não votou, são quase dois anos", disse.
O ministro contou que, na campanha, será usada até uma marca fictícia de cigarro, "naturalmente em inglês, como os brasileiros gostam", brincou. De acordo com Serra, quanto mais for dificultada a vida do fumante, "melhor para ele próprio". "Já vejo fumantes que vão aos Estados Unidos e elogiam por não poderem fumar lá", disse. Ele também reclamou do que considerou lentidão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) na regulamentação das advertências que serão colocadas em alimentos industrializados, avisando do potencial cancerígeno de cada um.
"A agência está andando com velocidade de tartaruga com pé destroncado", afirmou. "Mas estou insistindo a cada mês". Além do reforço das campanhas contra o tabaco, voltadas diretamente para evitar o câncer de pulmão, o ministro defendeu a realização de exames preventivos de mama, colo do útero e próstata para combater a doença, pela prevenção. "Quando o câncer é detectado no início, não tem problema", disse. (W.T.)





