Representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), acampados em Brasília, foram recebidos ontem à tarde pelo ministro de Minas e Energia, José Jorge (PFL-PE), a quem apresentaram uma pauta de reivindicações. Jorge disse que o ministério deve intermediar as discussões entre os representantes do MAB e as empresas responsáveis pelas usinas hidrelétricas. No caso das barragens construídas por empresas estatais, as reuniões serão convocadas para esta semana.
Por volta das 6h30, cerca de 500 manifestantes ocuparam o prédio do Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Cinquenta homens da Polícia Militar foram enviados pelo local e os manifestantes deixaram o prédio, sem resistência.
José Jorge disse que encaminhará ao Ministério da Agricultura e ao Banco Central o pedido de criação de uma linha de crédito para as famílias atingidas pela construção de barragens. Também será estudada a possibilidade de se criar uma legislação específica que estabeleça critérios de indenização e reinstalação dos habitantes de áreas alagadas.
Os representantes do movimento entregarão ao ministro um documento mais detalhado sugerindo uma maior participação da sociedade na elaboração do modelo energético do País. Segundo o ministro, até o dia 15 de abril será feito um balanço sobre as reivindicações e os pontos atendidos.
No fim da tarde, os manifestantes voltaram ao acampamento montado na Esplanada dos Ministérios. Segundo o líder do MAB Hélio Mocca, as reivindicações partem de 1 milhão de pessoas que estão desalojadas em todo o País, em razão da construção de barragens. Os manifestantes querem participar da discussão para a construção de 494 barragens, previstas para até 2015 e criação de um crédito especial de R$ 30 mil para cada desalojado, com subsídios de 50% e pagamento em 10 anos. (Agência Estado)

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