O governo vai inspecionar as 7.447 torres de transmissão existentes entre a Usina de Itaipu, no Paraná, e São Paulo, para verificar a denúncia de existência de outras 12 bombas nas quatro linhas de transmissão. O ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, determinou ontem um prazo de três dias para que seja concluída a fiscalização nos 3,4 mil quilômetros de linhas. A suposta existência de mais bombas surgiu de uma denúncia anônima recebida na terça-feira pela direção de Furnas Centrais Elétricas. Brito garantiu que não haverá necessidade de adoção de medidas de economia de energia na região.
‘‘O fato vai se tornando extremamente mais grave’’, afirmou o ministro, referindo-se à descoberta, anteontem, de uma terceira bomba. ‘‘Aparentemente, os criminosos desejavam desativar o sistema de transmissão de Itaipu’’, constatou Brito. O ministro admitiu que as consequências deste ato teriam um forte efeito político. ‘‘Isto colocaria uma situação de absoluta impossibilidade de se evitar racionamento durante algum período, com prejuízo para a economia e para milhões de brasileiros’’, afirmou. ‘‘Não há dúvida nenhuma de que, quando se colocar bombas em série em diferentes linhas de transmissão, isto tem conotações políticas graves’’.
Para evitar mais problemas no futuro, Raimundo Brito já determinou que Furnas realize inspeções periódicas nas torres e nas linhas de transmissão que partem de Itaipu, que respondem por 30% da energia consumida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Não há, garantiu Brito, necessidade de retomar as medidas de economia de energia, realizadas nos três primeiros dias da semana. A terceira linha de transmissão de Furnas, onde foi encontrada a nova bomba, foi desligada às 22 horas da quarta-feira para exame da Polícia Federal e toda sua carga foi transmitida para a quarta linha de transmissão. ‘‘A prioridade, agora, é examinar esta última linha de transmissão, onde não foi encontrada nenhuma bomba’’.
O ministério autorizou Furnas a contratar helicópteros para este trabalho de fiscalização. ‘‘Eles também estão autorizados por mim a contratar o pessoal necessário para, em três dias, tentarmos inspecionar todas as quatro linhas de transmissão de Foz de Iguaçu até São Paulo’’, avisou Brito.
As demais linhas de transmissão existentes no País não são consideradas áreas de risco pelo ministério. Segundo Brito, não existe a suspeita de que outros atentados possam ocorrer. O telefonema anônimo recebido por Furnas às 14h15 da terça-feira referia-se apenas a 12 bombas na linha de transmissão de Itaipu.
Na avalição do ministério, as medidas de economia de energia tomadas no início da semana mostraram que existe uma predisposição dos consumidores de auxiliar em momentos difíceis. Foram economizados, em média, mil megawatts de energia por dia nos momentos de pico. Deste total, disse Brito, 50% foi negociado com os grandes consumidores de energia e o restante foi obtido graças ao apoio da população.

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