Governo insiste em Bezerra para a liderança no Congresso
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Gerson Camarotti e Rosa Costa 
Brasília, 17 (AE) - Integrantes do governo fizeram hoje um apelo ao senador Fernando Bezerra (PMDB-RN) para que aceite o convite feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e ocupe a liderança do governo no Congresso. Na semana passada, Bezerra recusou a proposta alegando que a liderança do governo seria um cargo incompatível com a sua posição de presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O senador disse a Fernando Henrique que, nos momentos em que estivessem em jogo os interesses do governo e dos empresários, optaria por defender o setor industrial. "Se o governo puser em votação um projeto estabelecendo a CPMF definitiva, por exemplo, jamais poderei defender", disse Fernando Bezerra ao próprio presidente.
A dificuldade em conciliar interesses já pôde ser notada hoje mesmo, no Fórum Nacional do Instituto dos Altos Estudos, realizado no Rio de Janeiro. Enquanto o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga
defendia a prioridade para a reforma política, Fernando Bezerra voltou a defender a reforma tributária - uma das cobranças do meio empresarial - como a principal bandeira a ser adotada pelo Palácio do Planalto.
Na noite de hoje, o senador do PMDB era aguardado em Brasília para uma nova conversa com o presidente, no Palácio da Alvorada. A escolha do senador foi comemorada dentro do governo. "Politicamente vai ser um nome fortíssimo", avaliava um ministro.
O nome de Bezerra foi escolhido depois de cinco meses de indefinição do governo. Desde que o ex-senador e ministro da Defesa Élcio álvares (PFL-ES) deixou o cargo, em janeiro, o posto está sendo ocupado interinamente pelo vice-líder, senador Romeu Tuma (PFL-SP).
A demora na decisão acabou criando um grande constrangimento dentro do PMDB, a quem cabia a indicação. No fim da semana passada, chegou a ser cogitada a escolha de um líder de outro partido - operação abortada para não enfraquecer o partido de Jáder Barbalho.
Dentro dos partidos da base, a escolha foi considera tardia. "Um líder do governo no Senado teria evitado tranquilamente a criação dessas CPIs", avalia o senador Gerson Camata (PMDB-ES), um dos convidados que se negou a assumir o cargo. Ele concorda que o governo está sem um bom interlocutor no Senado. "Ninguém defende o presidente e suas ações na tribuna, porque não existe informação do governo para que isso ocorra", lamenta o senador capixaba.
A demora para a indicação do novo líder também acabou deixando sequelas na base. Dentro do PMDB, a avaliação é de que o presidente teve a intenção de desagregar o partido, já que cinco nomes foram sondados para ocupar o cargo. Além de Bezerra e Camata, os senadores José Fogaça (PMDB-RS), Ney Suassuna (PMDB-PB), e José Agripino Maia (PFL-RN) tiveram os seus nomes citados pela imprensa nos últimos meses, porém, sem confirmação do Planalto.
Na semana passada, Suassuna chegou a enviar uma carta para o presidente desistindo da indicação, alegando que a especulação em torno da escolha acabou trazendo prejuízos políticos para a sua imagem.


