Dili, 12 (AE-AP) - Sob pressão dos oficiais das Nações Unidas, 13 ministros indonésios visitaram hoje (12) o Timor Leste e prometeram fazer o possível para assegurar que o referendo da independência prossiga pacificamente.
Tanto o general Wiranto quando o ministro das Relações Exteriores, Ali Alatas, conclamaram as facções rivais armadas a parar com a violência na ex-colônia portuguesa, invadida pela Indonésia em 1975.
Oficiais das Nações Unidas, temerosos e frustrados com a situação, afirmaram que queriam que a delegação desse ordens à polícia indonésia para agir duramente com as milícias antiindependência que mataram dezenas de civis, e além disso atacaram e ameaçaram o pessoal da ONU que prepara o referendum.
As eleições do próximo mês vão dar ao Timor Leste a escolha entre ser parte da Indonésia como região autônoma ou a independência total.
A violência piorou nas últimas semanas apesar das promessas dos ministros indonésios de garantir maior segurança.
"Acredito ter notado uma grande vontade em ver o problema tal qual ele se apresenta e em fazer algo a respeito", disse Frances Vendrell, que dirige a divisão da ásia e Pacífico do departamento de Política Exterior da ONU.
"Eles obviamente disseram que tomarão medidas que acreditamos necessárias para permitir a todos expressar suas opiniões e exercer a liberdade de movimento", disse.
Alatas afirmou que a visita de tantos oficiais indonésios veteranos demonstra a "grande determinação de seu governo, sua sinceridade e seriedade", para manter o pleito.
Segundo ele, a situação da segurança estava melhorando.
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan adiou para sexta-feira o início dos registros dos eleitores, para que a Indonésia possa tomar ações concretas para melhorar a segurança.
"O governo indonésio e seu aparato de segurança vão fazer o que puderem para criar uma situação que torne possível o pacífico registro dos eleitores", disse Wiranto, que também é ministro da Defesa da Indonésia, aos repórteres.
Ian Martin, chefe da missão de assistência para o Timor Leste das Nações Unidas disse que o atraso dos registros pode também significar atraso das eleições que estão agora marcadas para 21 ou 22 de agosto.
Ativistas pró-independência disseram que a vasta maioria dos 800.000 timorenses quer se separar da Indonésia.
Segundo eles, os milicianos contrários à independência estão usando violência para tentar intimidar os eleitores. O Exército indonésio negou as acusações de que esteja ajudando as milícias.
Ativistas antiindependência ameaçaram boicotar o pleito. Eles acusam a ONU de ter sido tendenciosa e de não fazer o suficiente para desarmar as guerrilhas rebeldes rivais.
Também hoje, em Jacarta, uma corte informou que os procedimentos legais do processo de difamação multibilionário envolvendo o ex-presidente Suharto e a revista Time deve começar em setembro.
Suharto, que presidiu a Indonésia com mão de ferro durante 32 anos antes de ter sido obrigado a renunciar no ano passado, processou a Time por causa de um artigo que alegava que sua família teria acumulado 15 bilhões de dólares durante o seu governo.
Numa matéria de capa publicada na edição asiática de maio, a Time afirmava que a família de Suharto teria transferido 9 bilhões de dólares da Suíça para a áustria pouco antes de sua renúncia, entre protestos e confrontos.
Suharto pede 27 bilhões de dólares da revista. Este é o maior processo movido na Indonésia.
As audiências começam no dia 9 de setembro, disse uma oficial da corte que se identificou apenas como Zulis. Muitos indonésios usam apenas o primeiro nome. O julgamento será presidido por Sihol Sitompul, chefe da Corte Distrital Central de Jacarta.
O governo indonésio iniciou um inquérito de corrupção nos negócios de Suharto. Ele nega ter cometido delitos.
O advogado da Time, Todung Mulya Lubis, expressou dúvidas quanto à capacidade da corte indonésia em lidar com o que ele chamou relações públicas de efeito.
Lubis disse que o artigo da Time baseou-se em quatro meses de investigações e que um número muito grande de documentos e testemunhas será necessário se o caso for para os tribunais.

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