Governo impõe condições para negociar
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quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
Mesmo com o recuo do MST, que desocupou ontem prédios do Incra em 14 Estados, o governo não reabrirá negociações. O governo quer a liberação de todos os prédios públicos invadidos e o encerramento das vigílias, entre elas a feita na frente da fazenda da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). A decisão foi anunciada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann.
O coordenador do MST, Gilberto Portes, informou sobre as desocupações pela manha, mas as vigílias em frente aos prédios foram mantidas. A medida, segundo Portes, foi uma demonstração de que o MST quer negociar. Mesmo assim, o governo decidiu não abrir o diálogo. O ministro Jungmann negou qualquer contato do governo com os sem-terra para a retomada das negociações, ao contrário do que informava documento divulgado pelo MST.
Fui surpreendido por essa nota. Não aconteceu nada, nem vai acontecer, disse Jungmann, após reunir-se no Palácio do Planalto com os ministros do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, e da Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, para fazer uma avaliação das invasões dos sem-terra.
Pela manhã, o MST recorreu a parlamentares do PT e à Comissão Pastoral da Terra (CPT) para reabrir o diálogo com o governo. A comissão, liderada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), foi barrada por seguranças no elevador do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e não foi recebida por Jungmann. Os parlamentares foram recebidos pelo chefe de gabinete de Jungman, Fernando Abreu.
Em nota à imprensa, Jungmann informa que em nenhum momento os parlamentares e lideranças do MST que estiveram no ministério solicitaram audiência. No texto ele condiciona o pedido de audiência à completa e integral desocupação das superintendências do Incra e da interrupção da chantagem representada pela presença de um grupo de militantes do MST nas proximidades da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis.
O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno, informou que a entidade até agora não foi procurada pelo MST para intermediar o diálogo com o governo. O bispo garantiu, entretanto, que a CNBB poderá atuar como mediadora, se for chamada. Em maio, a entidade negociou um acordo entre MST e governo.


