Porto Alegre, 19 (AE) - O governo gaúcho e a General Motors mantém nova negociação amanhã procurando confirmar a permanência da montadora no Rio Grande do Sul. Será o nono encontro entre as partes, depois que o Estado solicitou a renegociação do contrato assinado no governo anterior, de Antonio Britto (PMDB), considerado lesivo aos cofres públicos. No mesmo dia, a Ford deverá marcar nova reunião para debater o mesmo tema. No caso da Ford, o governo ganhou um pouco mais de tranquilidade depois que a direção mundial da empresa, reunida em Detroit, na sexta-feira, reafirmou sua disposição de ficar no Rio Grande do Sul.
Hoje, ao final de uma conversa de mais de três horas, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Assuntos Internacionais do Estado, José Carlos Vianna Moraes, e o diretor de assuntos institucionais da GM, Luiz Moan, mais uma vez foram evasivos. Os dois, porém, manifestaram o desejo de encontrar uma solução para o impasse até o final do mês para não atrasar o lançamento do novo carro da GM (projeto Arara Azul), previsto para o primeiro semestre de 2000. A fábrica de Gravataí está praticamente pronta.
O governo já repassou R$ 258 milhões à GM, como empréstimo para capital de giro, adquiriu um terreno de aproximadamente 400 hectares e realizou obras de infraestrutura. Faltam ainda R$ 57 milhões para obras complementares.
Em Detroit, o vice-presidente mundial da Ford, Martin Inglis, disse que a empresa continua disposta a se instalar em Guaíba, onde possui um terreno de 600 hectares em fase final de terraplenagem, e que buscará uma solução com o governo gaúcho. No mesmo ancontro, Inglis pediu paciência aos fornecedores e que esperassem para realizar novos investimentos.
A Ford deseja um empréstimo de R$ 210 milhões sem correção monetária e com juros de 6% anuais, mais um aporte de infraestrutura no valor de mais R$ 208 milhões e isenção total de ICMS por 15 anos. O Estado já emprestou R$ 42 milhões para a empresa. O novo governo sustenta que não dispõe dos R$ 418 milhões para aplicar na planta de Guaíba e que precisa reajustar o contrato em novas bases.
De acordo com Moraes, uma das medidas para reduzir o peso das obrigações do Estado seria a prefeitura de Guaíba assumir as tarefas de cunho municipal e a União, as federais, previstas para a área da montadora e seus arredores. Estão nesta situação a abertura e pavimentação de estradas, avenidas e ruas e a duplicação parcial da BR-116.

mockup