Porto Alegre, 16 (AE) - O governo gaúcho vai entrar em contato com as direções da General Motors e da Ford nos próximos dias para começar a renegociar os benefícios concedidos pela administração anterior para a instalação de fábricas das duas empresas no Rio Grande do Sul. A Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai) não adianta os pontos dos contratos que serão revistos, mas eles podem incluir os empréstimos às montadoras e seus fornecedores e obras de infraestrutura de responsabilidade do Estado.
O secretário José Vianna Moraes explicou que, somente em financiamentos para capital de giro liberados a juros baixos e longos prazos de pagamento, o governo passado comprometeu-se a liberar R$ 525 milhões para as duas empresas e seus fornecedores. Outros R$ 325 milhões foram comprometidos sob a forma de obras de infraestrutura nos dois complexos industriais, totalizando R$ 850 milhões.
A GM já recebeu R$ 243 milhões e a Ford R$ 42 milhões, além dos R$ 68 milhões previstos para o dia 30 deste mês e mais R$ R$ 110 milhões em setembro.
Segundo o secretário, que hoje visitou o canteiro de obras da General Motors no município de Gravataí e foi recebido pelo diretor adjunto de assuntos Institucionais da empresa, Luiz Moan, o Estado precisa renegociar os contratos porque enfrenta uma grave dificuldade financeira.
Os R$ 850 milhões comprometidos em dinheiro vivo, afora os abatimentos no ICMS por cerca de dez anos para as duas empresas, equivalem ao serviço anual da dívida estadual com a União, que o governo gaúcho está tentando renegociar.
Mesmo assim, Moraes acredita que as montadoras terão condições de manter os cronogramas originais dos projetos. A GM deverá começar a produzir no final deste ano e a Ford, no fim de 2001.
Segundo o secretário, o governo comunicou a intenção de renegociar os contratos "de forma genérica" às duas empresas ainda antes da posse, e desde então estava consolidando os dados junto a 22 órgãos envolvidos com as obras.

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