Porto Alegre, 02 (AE) - O governo do Rio Grande do Sul reforçará seu pedido à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que realize uma auditoria na Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), controlada pelo consórcio Tele Brasil Sul (TBS). A secretária de Energia, Minas e Comunicações/RS, Dilma Roussef, deseja saber por que, por exemplo, os investimentos da CRT na telefonia fixa caíram 67% em 1999.
Deveriam atingir R$ 449,9 milhões e ficaram em R$ 148,5 milhões. "Houve uma diminuição violenta", classificou. Ao mesmo tempo, aconteceu um crescimento dos investimentos da empresa na telefonia celular. A secretária receia que possa ocorrer queda da qualidade do serviço prestado ao público. Citou a grande quantidade de reclamações de prefeitos, queixando-se das deficiências da estrutura para telefonia fixa em seus municípios.
A primeira solicitação por parte do governo gaúcho para que a Anatel investigasse a CRT ocorreu em julho de 1999 mas não foi atendida. Se a auditoria for realizada e constatar irregularidades, o Estado deverá solicitar uma indenização dos controladores da companhia. A CRT foi privatizada durante o governo de Antonio Britto (PMDB). No consórcio vencedor, o controle é da Telefonica.
Na terça-feira, a Anatel determinou que, até o dia 5 deste mês, o TBS deverá deixar a gestão da CRT. Como o TBS já comanda a Telesp não poderá, pelo que estabelece a legislação, controlar também a ex-estatal gaúcha. Com isso, a companhia será gerida, a partir do escoamento do prazo e temporariamente, pelos acionistas minoritários, entre eles o governo estadual, que reteve 4,1% do capital votante. Mas o maior percentual pertence à Tele Centro Sul (8%). Os funcionários da CRT possuem 2,08% e outros acionistas minoritários reúnem mais 0,62%. O TBS deverá vender sua participação na CRT nos próximos 45 dias.