Porto Alegre, 28 (AE) - O governo gaúcho vai licitar, até 2002, concessões para conservação, restauração e sinalização de 4 mil quilômetros de rodovias estaduais. Os contratos terão prazo de validade de cinco anos e as empresas não cobrarão pedágio dos usuários, pois serão remuneradas pelo Estado, informou hoje o secretário dos Transportes, Beto Albuquerque.
Os contratos para os primeiros 2 mil quilômetros, divididos em trechos, deverão ser licitados em março e o início das obras é previsto para o segundo semestre deste ano. Conforme Albuquerque, o programa exigirá investimentos de US$ 150 milhões
50% financiados pelo Banco Mundial (Bird).
O Rio Grande do Sul tem uma malha rodoviária pavimentada de cerca de 6 mil quilômetros, incluindo as estradas federais. Dois mil quilômetros já foram concedidos à iniciativa privada no governo passado, com cobrança de pedágio. Dos 4 mil quilômetros restantes, metade está em "péssimas" condições de conservação, disse o secretário.
Desde o início da atual administração, a relação entre as concessionárias que já exploram rodovias no Estado e o governo tem sido tensa devido a controvérsias sobre os valores cobrados nas praças de pedágio. Nesta semana, a Justiça atendeu ação do governo e revogou um aumento de tarifas de 33,5% estabelecido pelas empresas. "Os preços cobrados não condizem com a renda dos usuários dessas estradas e deveriam ser reduzidos em 20%", disse Albuquerque.
De acordo com ele, estudos da Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado (Cientec) e do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) indicaram uma diferença de 15% entre os investimentos realizados no pólo rodoviário de Caxias do Sul e os valores apresentados na planilha de custos pela concessionária. O levantamento incluiu a perfuração de 170 pontos nas estradas para verificação do material utilizado, da espessura da camada asfáltica e da base empregada nas rodovias.
Na próxima segunda-feira, o secretário reúne-se com representantes das concessionárias e dos usuários para tentar uma solução "intermediária". Ele vai cobrar das empresas, entre outras providências, a utilização de tecnologias mais avançadas para redução de custos nas obras. "Vamos apresentar propostas para as partes envolvidas. Ou o programa é reformulado ou ele acaba", afirmou.

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