Governo gaúcho assina renegociação com a GM
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 6 (AE) - O governo do Rio Grande do Sul e a General Motors assinam amanhã a renegociação do contrato para a implantação da montadora de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. A rediscussão do acordo durou dois meses e consumiu 15 reuniões entre as partes ao longo de março e abril. A montadora gaúcha representará um investimento de R$ 600 milhões. No Rio Grande do Sul, a GM desenvolverá o projeto Arara Azul, de um novo carro. Gerará dois mil empregos diretos e sua produção prevista é de 120 mil unidades/ano a partir de 2.000.
Uma comitiva de 16 pessoas, liderada pelo vice-presidente da GM para a América Latina, áfrica e Oriente Médio, Richard Nerod, e presidente da empresa no Brasil, Frederick Henderson, será recebida pelo governador Olívio Dutra (PT), no Palácio Piratini, às 10h.
Os termos do acordo ainda não foram oficialmente revelados. Extraoficialmente, o adiantamento de 15% dos R$ 253 milhões que o governo anterior, de Antonio Britto (PMDB), repassou à indústria, seria um dos ítens acertados. Pelo contrato original, tais valores só começariam a ser devolvidos -- sem correção monetária e com juros anuais de 6% -- no ano de 2.002. O governo também não precisaria emprestar R$ 41 milhões para o fornecedor que substituirá o grupo AG Simpson, sistemista que deixou a planta de Gravataí. Estado e GM passaram a negociar alternativas depois que o governo informou que não possuía recursos para repassar às montadoras.
Hoje o governador disse que continua esperando uma resposta da Ford do Brasil à proposta que o Estado encaminhou para a confirmação da montadora em Guaíba/RS, embora a empresa tenha anunciado o encerramento das negociações.
Confaz e Ford - Ele achou estranho o comportamento da Ford nas suas relações com o Rio Grande do Sul. Entende que a empresa foi não-profissional", ao recusar-se a discutir a oferta gaúcha, que envolvia um repasse de R$ 186 milhões em empréstimo favorecido e infraestrutura, mais R$ 106 milhões em obras da União e município e ainda R$ 3 bilhões em não-contestação de incentivos. A Ford insistiu em receber R$ 418 milhões, mais incentivos. Segundo ele, a empresa "não teve a agilidade" que suas concorrentes tiveram e procurou usar o episódio para justificar sua atitude.
Olívio Dutra voltou a criticar a guerra fiscal, que classificou de insanidade e perversidade. "É cada um por si e o diabo por todos", definiu. E deixou implícito que poderá recorrer ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) em caso de vantagens excessivas dadas tanto a Ford por outros Estados, quanto em outras situações de guerra fiscal. Não descartou um pedido de devolução dos R$ 42 milhões que o Estado adiantou à Ford.
Dutra reiterou que o Estado não rejeita nenhum tipo de investimento e destacou que o principal compromisso de seu governo é com os pequenos e médios produtores e empresários. Além dos setores tradicionais da economia regional -- calçados, agropecuária, metal-mecânica, alimentação etc -- Olívio observou que o Estado está especialmente interessado em atrair indústrias do próximo século, como a da informática e da saúde.


