Governo garante lucro do produtor de soja nos EUA
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Fátima Cardoso e Renato Stancatto 
Washington, 28 (AE) - Dois programas de suporte ao produtor americano, o "Loan Deficiency Payments (LDP)" e o "Marketing Loan Gains" (MLGs), vão garantir o lucro do produtor norte-americano na safra 2000/2001. A previsão do economista do USDA, Thomas Tice, é de que esses programas, que funcionam como garantia de preço, disponibilizem no mínimo US$ 1 por bushel de soja para os produtores dos EUA. Isso significa quase 25% mais do que o produtor norte-americano deve receber no mercado, se a previsão de preço médio de US$ 4,45/bushel para 2000/20001 se confirmar.
Para o analista André Pessoa, da Agroconsult, que esteve presente no Fórum do USDA na quinta e sexta passadas, a mensagem mais clara das palestras e debates foi de que o governo americano vai bancar a sua agricultura nos próximos anos. "Parece que eles rasgaram o Farm Bill de 1996", disse Pessoa. E acrescentou: "o governo americano não vai deixar o setor agrícola de fora da festa do crescimento econômico no País".
Vender já - O analista da Agroconsult, André Pessoa, disse que diante do cenário apresentado por economistas e produtores no Fórum do USDA, quem tem soja ou for colhendo nos próximos meses deve fazer uma comercialização rápida. "Não recomendo que os produtores brasileiros fiquem esperando por uma alta de preços em função do mercado climático". Mesmo que a safra prevista quebre 10%, disse Pessoa, ela ainda será muito grande. Para o consultor, as perspectivas não são nada promissoras. No Fórum, os analistas do governo americano estimaram que a produção americana de soja na safra 2000/2001 atingirá 2,96 bilhões de bushels, o equivalente a 80,55 milhões de toneladas. De acordo com o USDA, esse aumento de produção será causado por um aumento da área plantada em detrimento do milho.
Pessoa acredita até que o governo brasileiro terá de criar algum mecanismo de ajuda aos sojicultores. Além da concorrência com os subsídios norte-americanos, o produtor brasileiro vai enfrentar uma queda de lucratividade em função da desvalorização. "O plantio foi feito no Brasil quando o dólar estava entre US$ 1,85 e US$ 1,90. Agora a colheita acontecerá com o dólar por volta de US$ 1,75". Essa situação é oposta à do ano passado, quando o produtor foi ajudado pela desvalorização cambial. Pessoa destacou que o preço médio de US$ 4,45/bushel é muito baixo para o Brasil. "No caso do Paraná e do Rio Grande do Sul, cobre apenas os custos variáveis e no Mato Grosso e Goiás nem isso.
Exagero - Em São Paulo, Stephen Geld, diretor-presidente da Coinbra, subsidiária da trading Louis Dreyfus, considerou excessivamente pessimista o cenário de produção traçado pelo USDA. Geld acredita que a relação de preços da soja com outros grãos não está favorável o suficiente para promover um aumento de área que permita uma produção estimada pelo governo americano. "É muito prematuro para fazer este cenário", disse o executivo. "É preciso ver como serão as intenções de plantio."
Geld também não acredita que os produtores da América do Sul migrem da soja para as outras culturas já na próxima safra. "Isso deve acontecer, mas na safra seguinte", acredita. O diretor-presidente da Coinbra afirmou que a projeção de uma limitação no tamanho do comércio mundial de farelo bate com a percepção da indústria.
Ele afirma que não apenas a Índia e China estão seguindo esta linha: "Tradicionais importadores, como o Egito e o Irã também estão instalando indústrias de esmagamento", comenta. Geld disse que o cenário dos últimos dois anos foi desolador para a indústria. "Quando os preços recuam, as margens da indústria já ficam achatadas mesmo", disse o executivo. "Além disso, temos uma capacidade instalada no Brasil que está ociosa por falta de produção, e isso também é custo."


