Governo foi advertido sobre possíveis massacres na Colômbia
Bogotá, 25 (AE-ANSA) - O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou num comunicado que em julho o governo colombiano recebeu indícios de que paramilitares se preparavam para promover massacres de camponeses como o do fim de semana, informação que as autoridades receberam de "imediato e oportunamente" a fim de adotar medidas de prevenção.
O comunicado refere-se ao massacre em zonas rurais do estado Norte de Santander, onde no fim de semana foram mortos pelo menos 66 camponeses, cujas famílias também denunciaram que não receberam proteção do exército ou da polícia.
O organismo da ONU afirmou que o governo colombiano "não tomou as medidas e ações necessárias para garantir e proteger a vida e segurança" dos habitantes de Norte Santander.
O comissariado, com sede em Bogotá, exortou as autoridades a "assumirem no mais alto nível as responsabilidades para evitar que fatos desta natureza continuem ocorrendo".
Foi acrescentado que em julho uma delegação formada por representantes do organismo, do governo, da Cruz Vermelha e de organizações não-governamentais promoveu uma visita a Norte de Santander.
A delegação informou-se "diretamente através do anúncio do chefe" dos paramilitares que operam na região "sobre a iminência de novos fatos que ameaçavam a vida dos habitantes de várias localidades".
Segundo o organismo, "esta informação foi transmitida de imediato e oportunamente, à espera que o governo assumisse uma posição eficaz para evitar e prevenir os novos atos de agressão anunciados".
"Mesmo assim, o Alto Comissariado lembra ao Estado colombiano de suas obrigações internacionais relativas ao dever de investigar exaustivamente esses fatos graves, assim como as eventuais ações como também as omissões de seus funcionários públicos e de sancionar os responsáveis", acrescentou o comunicado.
Os paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia assumiram responsabilidade pelo massacre dos camponeses executado entre 20 e 22 de agosto em zonas rurais de Norte de Santander, como Tibu, El Tarra e La Gabarra.
Organismos humanitários internacionais vêm denunciando reiteradamente que os paramilitares contam pelo menos com a tolerância de chefes das Forças Armadas.





