Governo federal tentará adiar encontro dos governadores
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti 
Brasília, 07 (AE) - O governo federal tentará adiar o encontro dos governadores em Sergipe, no dia 15, para evitar nova turbulência política, como ocorreu em maio, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou para o governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB).
Os governadores vão discutir as medidas de socorro financeiro anunciadas neste ano. Em maio, com a popularidade de Fernando Henrique em baixa e a negociação do acordo de socorro financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente comprometeu-se em responder as reivindicações dos governadores se a reunião fosse cancelada. Irritados com a insuficiência do socorro prestado pelo governo, os governadores não estão, neste momento, dispostos a recuar. Segundo um dos governadores que estarão em Aracaju, o Palácio do Planalto não terá sucesso. "O governo federal pode conseguir tirar cinco ou seis governadores, não mais que isso", garantiu, pedindo o anonimato.
Até agora, parte dos governadores confirmou a presença, incluído o de São Paulo, Mário Covas (PSDB). A data do encontro só foi confirmada quando o tucano deu certeza da participação. Os nove governadores do Nordeste também garantiram a ida, bem como os oposicionistas Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul, e Anthony Garotinho (PDT), do Rio de Janeiro.
Até agora, estão confirmadas as ausências dos governadores de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), e do Acre, Jorge Viana (PT).
Ao contrário do encontro dos governadores com FHC, em fevereiro, a reunião do dia 15 inclui apenas os governadores. Apesar do esforço do governo em dar uma resposta às reivindicações, a insatisfação dos governadores - tanto os aliados como os de oposição - continua indicando um acirramento de posição. "Ninguém foi atendido, nem os Estados da situação nem os da oposição", afirmou o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB).
Os temas da pauta do encontro serão os mesmos das reuniões anteriores, "só que agravados pelo descontentamento dos governadores", acrescentou.
Os governadores vêm queixando-se há meses que o governo anunciou várias medidas, mas nenhuma delas trouxe efeitos concretos para sanear as finanças dos Estados. É o caso da extinção do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que só ocorrerá em janeiro. Os governadores querem que o efeito financeiro positivo para o caixa dos Estados ocorra desde agora.
Os políticos também reclamam da demora na liberação dos recursos da compensação da Lei Kandir, que foram antecipados mas
na prática, não estaria refrescando o caixa da maioria dos Estados. Os governadores do Nordeste dão importância ao encontro de sexta-feira (09), em Recife. O fórum dos governadores do Nordeste vai definir políticas de desenvolvimento e sociais específicas para a região, que terá como instrumento a revitalização da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Sexta-feira, os governadores do Nordeste vão começar a definir um conjunto de ações para a região, entre elas a atuação de todos os Estados na busca de novos investimentos na área do turismo e a unificação das bancadas estaduais para fortalecer os pleitos específicos. "Se o Nordeste avançar, será bom para o Brasil", afirmou Lessa.


