Governo federal reduz distribuição de camisinhas
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Londrina - O governo federal reduziu o repasse de camisinhas aos Estados e municípios. Em 2010, o total enviado foi 30% menor do que em 2009. De acordo com o Ministério da Saúde, a redução ocorreu porque muitas regionais de saúde abasteceram seus estoques por meio do repasse dos governos locais.
O governo federal é responsável pela compra e distribuição da maior parte dos preservativos no País. No entanto, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, cabe aos governos estaduais e municipais a distribuição de no mínimo 10% do total. Já nas regiões Sul e Sudeste o índice sobe para 20%.
No ano passado, o governo federal distribuiu pouco mais de 327 milhões de preservativos. Este ano, o repasse já ultrapassa a casa dos 179 milhões. Segundo o técnico da Divisão de Controle DST/Aids da Secretaria de Saúde do Estado, Francisco Carlos dos Santos, durante os seis primeiros meses deste ano foram enviados 7,3 milhões de preservativos para as 22 regionais de saúde do Paraná.
''Atendemos a demanda solicitada pelas regionais. A distribuição está satisfatória, o que mostra que as pessoas estão cada vez mais conscientes'', avalia.
Em Londrina, a população mantém o hábito de buscar preservativos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o que faz com que a demanda permaneça alta. Diariamente, 30 pessoas passam em média para buscar o produto no Centro de Testagem e Aconselhamento, na Área Central da cidade. O cálculo é da psicóloga Rosângela Freire Lemos Chagas. Um fato que chama a atenção, segundo ela, é que a procura por preservativos entre os idosos aumentou significativamente nos últimos anos. Outro grupo que busca o produto com frequência é o de jovens.
Ela ressalta, no entanto, que muitas pessoas ainda sentem vergonha de buscar camisinha no posto. ''Principalmente as mulheres não ficam à vontade para pedir o produto. A procura pela camisinha feminina é baixa'', afirma Rosângela, que ao entregar o preservativo muitas vezes orienta sobre a forma de uso.
''Muita gente alega que não usa camisinha porque está em um relacionamento estável e confia no parceiro. Mas é preciso conversar muito sobre o assunto, uma vez que a pessoa pode ter contraído doenças em relações passadas'', alerta a psicóloga, ressaltando que a maioria dos soropositivos em Londrina contraiu a doença pela relação sexual.
Para Rosângela, o fato de as pessoas buscarem a camisinha não significa que elas usem sempre. A população pode adquirir gratuitamente o produto nas UBS, no Centro de Testagem e Aconselhamento e em outras instuições, como no Centro de Apoio Psicosocial (Caps) e no Núcleo de Redução de Danos.
Na opinião do bancário Luiz Brunelli, o assunto deveria ser tratado com mais ênfase nas escolas. ''Os adolescentes deveriam ser instruídos no ambiente escolar e também em casa. Ainda falta consciência sobre o assunto'', declara.
A administradora Érika Shinaida acredita que os jovens muitas vezes consideram a camisinha apenas um método contraceptivo e não uma forma de prevenir doenças. ''Já escutei conhecidos dizendo que esquecem de usar o preservativo, mas que a pílula do dia seguinte resolve o problema. Infelizmente, o sexo se tornou algo banal e, por isso, mais do que nunca a camisinha deve ser usada'', considera.


