Curitiba - O governo federal quer retomar os mais de 2 mil quilômetros de rodovias do chamado Anel de Integração, que desde 1997 são administradas por seis empresas privadas, autorizadas pelo governo estadual através de contratos. O pedido foi encaminhado em ofício ao governador Jaime Lerner (PFL) no final de novembro, pelo ministro dos Transportes, João Henrique de Sousa. A União alega que está reestruturando o sistema nacional dos transportes. Além do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul também receberam propostas semelhantes.
Segundo o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, Lerner ainda não decidiu se entrega os trechos. O secretário explicou que a devolução das estradas é legal, e está prevista na Lei Federal 10.233/01. ''O governo pode devolver ou não, o que existe é uma solicitação, que está sendo feita também a outros estados. Mas antes de nos posicionarmos vamos conversar com a equipe de transição do PMDB'', prometeu Campêlo. A palavra final só sairá depois que Lerner retornar de viagem à Espanha, no dia 18.
O secretário explicou que o pedágio continua existindo, mesmo que as rodovias voltem ao comando do governo federal. Caso Lerner decida entregar os lotes à União, as concessionárias passarão a prestar contas à agência, e não mais ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Nesse caso, as rodovias passariam a ser administradas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Mas a iniciativa do governo federal tem relação direta com uma das principais promessas de campanha do governador eleito, Roberto Requião (PMDB): acabar com o pedágio. O assunto deverá ser tratado com profundidade pela equipe de transição. O deputado estadual e vice-governador eleito Orlando Pessuti, chefe da equipe de transição peemedebista, tomou conhecimento ontem do ofício. ''Vamos analisar. Não sabíamos dessa nova postura do governo'', disse.

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