São Paulo, 16 (AE) - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, disse hoje que a guerra fiscal que resultará na instalação da Ford na Bahia está sendo patrocinada pelo governo federal. "Não sou contra o desenvolvimento do Nordeste, mas é um absurdo que o BNDES dê dinheiro do trabalhador para uma multinacional que teve elevados lucros no mundo", destacou o dirigente.
Marinho vinha evitando tocar no assunto para não contrapor posição do Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, filiado à CUT, que emitiu nota favorável ao empreendimento. "Os metalúrgicos baianos poderiam ficar bravos por pensarem que somos contra a desconcentração de novos investimentos, mas a questão é outra", explicou.
Segundo o sindicalista, sua preocupação diz respeito à utilização do dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), proveniente do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e à modificação da lei do regime automotivo.
O sindicalista defendeu o escoamento de recursos para a Bahia em atividades que o Estado já mantém, como o Pólo Petroquímico de Camaçari. Além disso, destacou, o desenvolvimento do setor automotivo deve se dar por meio do crescimento do mercado e não pela simples transferência de fábricas de um lugar para outro.
"Parece até uma briga entre estados; mas no fundo tudo isso é patrocinado pelo governo federal através do BNDES e dinheiro do trabalhador", disse Marinho, que prevê prejuízos à sociedade a longo prazo. Segundo ele, a fábrica da Ford não deverá criar a quantidade de empregos prevista.
As críticas, segundo Marinho, não se limitam ao caso Ford. "Todas as montadoras estão sendo beneficiárias de uma irresponsabilidade chamada guerra fiscal", destacou, lembrando as fábricas da Volkswagen, Chrysler e Renault, no Paraná, da Mercedes-Benz em Minas Gerais e Peugeot no Rio de Janeiro.

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