Governo fecha acordo com laboratórios
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Agência Folha, 
O Ministério da Saúde comprometeu-se a pagar na próxima semana R$ 15 milhões aos laboratórios oficiais que fabricam medicamentos para a rede pública. Com o acordo, anunciado ontem pelo presidente da Alfob (Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil), Antonio José Alves, as indústrias devem retomar a produção de remédios em uma semana. O fornecimento de remédios ao governo foi suspenso há oito dias por falta de pagamento. Os 12 laboratórios oficiais cobram desde setembro R$ 48 milhões, referentes a contratos assinados em junho passado. Segundo Alves, os R$ 15 milhões anunciados pelo ministério serão rateados entre as indústrias, de forma proporcional aos valores dos contratos. O dinheiro, segundo ele, será suficiente para pagar os funcionários, alguns fornecedores e manter o crédito na praça até que o governo quite sua dívida.
A manutenção da produção, afirmou o presidente da Alfob, vai depender da capacidade de negociação de cada laboratório com seus fornecedores e do pagamento do restante da dívida ainda este ano.
Alves confirmou a entrega ao governo, na próxima semana, de 80 mil ampolas de ganciclovir - medicamento fabricado em Pernambuco que combate o citomegalovírus, causador de cegueira em doentes com Aids. As 12 indústrias fabricam 52 tipos de medicamentos para a rede pública, entre eles o AZT, destinado ao tratamento de portadores do vírus da Aids, o HIV.
Os laboratórios produzem ainda remédios usados em programas específicos de saúde, como os de combate à hanseníase, tuberculose e malária. A produção entregue pelas indústrias ao governo corresponde a 50% dos medicamentos distribuídos pelo Ministério da Saúde à rede pública.
O governo federal começou ontem a distribuir para a rede pública de saúde os sete medicamentos que compõem o coquetel anti-Aids. Em todo o País, receberão o coquetel os 309 hospitais do Sistema Único de Saúde credenciados para o atendimento dos portadores do vírus da Aids.
O Ministério da Saúde já distribuía quatro dos sete medicamentos do coquetel. Faltavam os três inibidores de protease (medicamentos que impedem o HIV de explodir a célula infectada pelo vírus).
A distribuição, determinada por projeto de lei do senador José Sarney (PMDB/AP) sancionado na semana passada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, foi antecipada em duas semanas. O projeto de Sarney não estabelecia prazos, mas a meta do Ministério da Saúde era começar a distribuição em dezembro.
Segundo o ministério, o Brasil é o primeiro país a oferecer os sete medicamentos que compõem o coquetel por meio da rede pública de saúde.
Segundo o presidente interino Marco Maciel, o governo liberará em dezembro recursos para a compra de medicamentos para o SUS. Em dezembro, pretendemos resolver a questão dos laboratórios, das instituições que dependem de repasse de recursos para assegurar a medicação básica. Em especial, a medicação contra a Aids, disse Maciel. Maciel participou ontem de cerimônia comemorativa pelo Dia Mundial de Luta Contra a Aids, no Senado.
Apesar da solenidade ter sido realizada ontem, a luta contra a Aids é celebrada no domingo, dia 1º de dezembro.
Depois da cerimônia, Marco Maciel anunciou a distribuição antecipada do coquetel anti-Aids para hospitais públicos. Sarney e o ministro interino da Saúde, José Carlos Seixas, também estavam presentes ao ato. O Brasil está fazendo em relação à Aids uma ação solidária, associando governos e sociedade. Trata-se de um desafio da humanidade, disse Maciel.
Durante a solenidade, organizações não-governamentais (ONGs) apresentaram projetos de prevenção à Aids. Os melhores programas foram condecorados pelo Ministério da Saúde.
O presidente interino ficou preso ontem em um dos elevadores do prédio do Senado Federal. Com Maciel ficaram presos o senador José Sarney, o ministro interino José Carlos Seixas, um ascensorista, dois seguranças e três assessores do Planalto. A capacidade do elevador é de 12 pessoas. Eles permaneceram durante dois minutos no elevador, que parou logo depois de começar a subir do térreo para o primeiro andar. Maciel se dirigia ao ato em favor da luta contra a Aids.
O ascensorista abriu a porta e pulou do elevador pelo espaço que ficou entre a parede do fosso e o piso da cabine. Em seguida, buscou uma cadeira para que os políticos saíssem pelo mesmo espaço, apoiando o pé na cadeira antes de pisar no chão.


