Brasília, 17 (AE) - O governo federal vai realizar o mais amplo levantamento geofísico da Amazônia para conhecer com detalhes a potencialidade mineral da região. A Companhia de Pesquisa de Recursos Mineirais (CPRM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, assinou hoje um contrato de R$ 2,9 milhões com a empresa Geomag S.A Prospecções Aerogeofísicas para realizar um levantamento aéreo de duas áreas da região. Foi o primeiro contrato de uma série e até 2005 o governo quer mapear com detalhes toda a situação geológica da Amazônia.
Desde o projeto Radam, da década de 70, não foi feito nenhum tipo de intervenção na região, considerada a mais promissora fronteira para a descoberta de novas jazidas minerais em todo o mundo. "Este programa constitui um marco histórico no conhecimento da Amazônia", afirmou o secretário de Minas e Metalurgia do Ministério, Luciano Borges. Com este levantamento o Ministério quer fomentar investimentos em mineração, pois os demais países amazônicos apresentam aos investidores informações detalhadas do potencial mineral.
Segundo o secretário, a região continua virtualmente desconhecida em relação ao seu potencial mineral concreto. Ele explicou que o levantamento do Projeto Radam, feito por meio de satélites, é considerado um marco, mas tecnicamente já está ultrapassado, pois promoveu um conhecimento apenas superficial da região.
Ao todo, serão vasculhadas as propriedades minerais de 1 580 milhão de quilômetros quadrados do Escudo Amazônico, que abrange todos os Estados da região, onde existe a potencialidade de se encontrar jazidas minerais. Este ano estão previstas pesquisas em 340.000 quilômetros quadrados, em 2001 em mais 535.000 quilômetros quadrados e, por fim, em 2002 mais 705.000 quilômetros quadrados. Os dados ficarão disponíveis em CD-ROM para a indústria mineral logo depois da conclusão de cada levantamento.
Segundo o secretário, o trabalho também será útil para que a CPRM levante o potencial petrolífero das bacias sedimentares amazônicas.
Assim, disse Borges, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) poderá valorizar os futuros blocos para concessões na região. No setor mineral, o levantamento permitirá que as empresas minerais tenham elementos para fazer pesquisas minerais.
Sem a aerogeofísica, disse Borges, o mapeamento geológico da Amazônia demandaria cerca de 400 anos para ser finalizado. Nas áreas já consideradas distritos ou províncias minerais a aerogeofísica deve ressaltar o potencial. Nas demais, será o primeiro passo do conhecimento geofísico e geológico para as pesquisas minerais.
O contrato assinado hoje prevê levantamentos em duas áreas do extremo oeste do Amazonas e outra em Roraima, totalizando 82.000 quilômetros quadrados. O levantamento geofísico será feito por equipamentos digitais, embarcados em aviões que voarão a cerca de 100 metros de altura a uma velocidade de 220 quilômetros por hora. Levantamentos semelhantes já foram feitos no Canadá e na Austrália.

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