Governo fará reforma agrária verde
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domingo, 08 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaUltrapassadaO ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que técnicos de seu ministério e do Meio Ambiente estão revendo toda a legislação da reforma agrária, em vigor desde os anos 60, que não teve preocupação com a variável ambientalO ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse ontem em Brasília que até o final do mês o governo deve anunciar um pacote de medidas para dar início à Reforma Agrária Verde no País, onde o plantio de florestas será incentivado com a criação de uma linha de crédito destinada aos assentados e pequenos agricultores. Segundo Jungmann, as medidas serão propostas em conjunto com o ministério do Meio Ambiente.
Tenho um compromisso com o ministro Gustavo Krause de divulgar as medidas até o final do mês, num reconhecimento ao trabalho dele no governo, disse Jungmann, prometendo ouvir os movimentos sociais antes do anúncio das mudanças. O ministro de Política Fundiária reconheceu que a legislação vigente incentiva o desmatamento. Pelo conceito tradicional, a posse da terra só é reconhecida quando a floresta é desmatada e a casa construída, admitiu.
Jungmann disse que os técnicos dos dois ministérios estão revendo toda a legislação da reforma agrária, em vigor desde os anos 60. Estamos todos de acordo que a reforma agrária tem que ter sustentabilidade, disse, ressaltando que o trabalho é complexo pois as leis foram feitas sem preocupação com a variável ambiental.
O ministro considera, no entanto, que há uma superavaliação do impacto da reforma agrária no desmatamento da Amazônia. Chegaram a falar que os assentamentos seriam responsáveis por 30% do desmatamento, mas a reforma agrária na Amazônia atinge apenas 3,5 milhões de hectares do total de 440 milhões de hectares da região, explicou para assegurar que não é possível um impacto de tal ordem.
Mesmo sem querer antecipar as medidas, Jungmann adiantou que uma das idéias é estimular a conservação ambiental pela agricultura familiar, onde o pequeno produtor poderá ter suas lavouras cuidando da preservação de determinadas áreas de mata atlântica, por exemplo. O governo também pretende incentivar os pequenos e médios produtores de florestas com uma linha de crédito específica dentro do Programa de Crédito Emergencial para a Reforma Agrária (Procera).
O ministro lembrou que as novas regras do Imposto Territorial Rural (ITR) isentam da cobrança do tributo as áreas de reserva legal, de preservação permanente ou ainda de relevante interesse ambiental.


