Governo fará nova captação de bônus no mercado europeu
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 23 (AE) - O governo brasileiro fará uma nova captação de bônus da República no mercado europeu. O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Daniel Gleizer, informou à Agência Estado que, se as condições de mercado forem favoráveis, o novo lançamento de eurobônus ocorrerá ao longo das próximas semanas. Segundo ele, o volume da captação e a instituição financeira que coordenará a nova emissão ainda não foram definidos.
A emissão ocorrerá somente depois do período de férias na Europa e do "Labor Day", feriado nos Estados Unidos no dia 6 de setembro. "Temos que esperar o final das férias e o feriado americano", afirmou o diretor do Banco Central. Gleizer garantiu que há demanda internacional pelos títulos brasileiros. "Há muito interesse nesses papéis e estamos analisando as propostas", afirmou o diretor do Banco Central.
O governo também ainda não definiu o prazo dos novos bônus. Segundo Gleizer, as propostas das instituições vêm acompanhadas com uma espécie de "menu", que contém uma lista dos investidores estrangeiros que já demonstraram interesse no lançamento. É com base nessas informações que está sendo desenhada a estratégia do lançamento.
Daniel Gleizer adiantou também que, além do novo lançamento em euro, serão feitas outras emissões até o final do ano. "Vamos voltar algumas vezes no segundo semestre", garantiu ele
admitindo que esses lançamentos dão uma "tranquilidade maior" e "reforçam a confiança do investidor estrangeiro nos fundamentos macroeconômicos da economia e na capacidade de pagamento e financiamento externo do País". O diretor citou com exemplo a emissão de 200 milhões de euros realizada, na semana passada, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
"É uma sinal positivo, que o Brasil continua colocando papéis e continua havendo interesse e demanda". Gleizer acredita que a preocupação hoje com a economia brasileira é mais do "mercado interno do que externo". O governo já fez este ano dois lançamentos de bônus no exterior. A primeira captação da República em 99 foi feita em abril, quando foram emitidos, nos Estados Unidos, US$ 3 bilhões em bônus globais. Em julho, o Brasil voltará ao mercado internacional, dessa vez na Europa com uma captação total 800 milhões de euros.
O Brasil, segundo o diretor do Banco Central, vem conseguindo mostrar o seu esforço em melhorar as contas externas. Um prova disso, como informou, é a redução em US$ 26 84 bilhões da necessidade de financiamento externo (soma do déficit em transações correntes e os gastos com amortizações) de 99 para 2000: US$ 71 bilhões este ano contra US$ 44,1 bilhões no próximo ano.
Ele destaca também a redução das despesas com armotizações, que cairão US$ 24,9 bilhões de um ano para o outro, passando de US$ 47,1 bilhões para US$ 22,2 bilhões. " Essa é uma mudança dramática, que passou despercebida quando o presidente Armínio Fraga divulgou as novas previsões do BC para o balanço de pagamentos de 99 e 2000", disse Gleizer.
CAMBIO - Daniel Gleizer não acredita que haja motivo para outra "bolha" esta semana no mercado de câmbio como a ocorrida na semana passada. "O BC já ofereceu hedge na segunda-feira para suprir a necessidade de dólar e não há razão para que se crie uma nova bolha", disse o diretor.
Segundo Gleizer, a "bolha" no mercado de câmbio foi rompida com a atuação do Banco Central na sexta-feira, que fez uma oferta extraordinária de R$ 3 bilhões de NBC-Es (títulos indexados à variação cambial) de seis meses ."Como não houve demanda para todo o lote ofertado, ficou claro que era uma bolha e que não há razão para o dólar subir tanto", afirmou.
"O impacto da atuação do BC foi muito positivo", avaliou o diretor. Segundo ele, o Banco Central deixou claro também com a sua atuação na sexta que "tem um arsenal de medidas para tomar caso o comportamento de câmbio não esteja relacionado com a realidade". "Não há desespero", acrescentou.
Gleizer afirmou ainda, a exemplo dos outros integrantes da equipe econômica, que o movimento no câmbio verificado nos últimos dias estava descolado dos fundamentos macroeconômicos da economia. "O importante é repetir que os fundamentos estão melhorando intensamente e rapidamente, e as melhoras são impressionantes", afirmou. "A correção está ocorrendo".


