Curitiba - O governo estadual se comprometeu ontem a firmar convênios com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para dar assistência técnica e educacional nos acampamentos existentes no Paraná. Até o final de maio, os secretários e funcionários do governo envolvidos com o tema devem realizar reuniões e formalizar os acordos.
O prazo foi determinado ontem pelo governador Roberto Requião (PMDB), que recebeu os líderes do MST. O encontro marcou a chegada da marcha do MST pela Justiça no campo e reforma agrária em Curitiba. ''Apresentamos um conjunto de ações que o governo estadual pode fazer para colaborar com a questão federal, que é a reforma agrária'', disse um dos coordenadores estaduais do movimento, Roberto Baggio.
''Essa visita tem que se transformar em acordos práticos e já'', afirmou Requião, através da assessoria de imprensa. Durante a reunião, cerca de 500 trabalhadores sem-terra fizeram manifestação em frente ao Palácio Iguaçu.
Segundo Baggio, o MST pediu ao governo estadual programas para disponibilizar sementes e dar condições aos assentados de produzir os alimentos para subsistência. O MST também quer ajuda para programas educacionais, como a escola itinerante, para a alfabetização, e cursos de nível médio. Segundo Baggio, foi feito convênio com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para um curso de agroecologia. A primeira turma deve iniciar as aulas em março.
O governo Requião também deve implantar um programa de estágios nos acampamentos do MST para soldados e oficiais da Polícia Militar (PM). A intenção é reduzir a violência policial contra os sem-terra.
O Paraná tem 11 mil famílias aguardando assentamento. O MST vai se reunir hoje com o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Carlos Lacerda, para tratar do tema.

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