Brasília, 01 (AE) - A equipe econômica adotou uma nova estratégia para diminuir as incertezas do mercado financeiro em relação à capacidade do governo de cumprir com o ajuste fiscal no próximo ano. Hoje, um dia após o anúncio do Orçamento para 2000, o alto escalão do Ministério da Fazenda recebeu cerca de 30 economistas-chefes das principais instituições financeiras instaladas no País para explicar como o governo cumprirá a meta fiscal de R$ 28,4 bilhões.
Esta foi a primeira vez que a área econômica convoca um número tão elevado de consultores para explicar medidas adotadas. Ainda hoje, os secretários de Política Econômica e executivo do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo e Amaury Bier, passaram cerca de duas horas respondendo perguntas de investidores estrangeiros durante teleconferência organizada pelo banco Warburg Dillon Read.
Participaram do evento 288 investidores estrangeiros interessados na economia brasileira. Com as reuniões, a equipe econômica quis abrir um canal direto de diálogo com o mercado financeiro e facilitar a administração das expectativas que semanas atrás provocaram oscilações fortes na taxa de câmbio. O consultor e especialista em finanças públicas, Raul Velloso, que participou da reunião, disse que tentaria maiores esclarecimentos sobre a previsão de receitas adicionais de R$ 6 2 bilhões, divulgada pelo governo na semana passada.
As receitas adicionais serão fundamentais para fechar o rombo de R$ 3,2 bilhões da conta-petróleo. No acordo com o Fundo Monetário Internacional tinha um saldo de R$ 6 bilhões, rebaixou para R$ 3,4 bilhões no Orçamento de 2000. Além disso, lembrou, tem a perda de R$ 1,7 bilhão com a exclusão dos Estados e municípios do "novo Fundo de Estabilização Fiscal (FEF)".
O consultor da Tendências, Fábio Akira, elogiou a transferência com que os dados do Orçamento estão sendo divulgados pelo Governo. "Essa transparência colabora para diminuir as incertezas", disse o consultor.
Segundo ele, a forma de divulgação dos dados do Orçamento de 2000 é inédita na história. O consultor, porém, ainda tem dúvidas sobre a taxa de juros média acumulada de 13,5% usada na elaboração do Orçamento.

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