Governo exigirá que montadora ajude a renovar a frota
Governo exigirá que montadora ajude a renovar a frota13/Mar, 15:40 Por Cleide Silva São Paulo, 13 (AE) - O governo federal vai exigir que as montadoras se comprometam a vender no mínimo 1,350 milhão de automóveis e comerciais leves neste ano para participar do projeto de renovação da frota. O desconto de R$ 700,00 na cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - proposto pelas empresas para compor o bônus de R$ 1.800,00 para quem entregar o carro velho para o sucateamento - só será concedido para as unidades que passarem este volume. A exigência, feita hoje pelo secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Hélio Mattar, pegou de surpresa o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. "Nós comprometemo-nos a bancar a renúncia fiscal do governo se as vendas não ultrapassassem 1,190 milhão de unidades", disse o executivo. "Este número é novo e temos de estudar se é viável ou não", acrescentou. Pinheiro Neto reclamou que o nível de exigência do governo para com a Anfavea "tem sido crescente e não cabe somente às montadoras o ônus do projeto de renovação". Ele e Mattar participaram, em São Paulo, de seminário sobre a renovação da frota, que teve a participação de cerca de 300 pessoas, na Assembléia Legislativa. Mattar afirmou que o governo federal só deverá decidir a participação no projeto no prazo de um mês. Segundo ele, vários detalhes da proposta ainda estão sendo analisados. Ele adiantou, contudo, que, caso o governo participe, também vai exigir das montadoras o compromisso de repassar para o valor do bônus qualquer reajuste de preço dos carros que ocorra durante a vigência do programa. O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), confirmou a intenção de reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em R$ 500,00, mas isso precisa de aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Montadoreas e revendas vão participar com R$ 600,00, compondo, assim, o bônus de R$ 1.800,00 na troca de um modelo com mais de 15 anos por um modelo a gasolina. Para o carro a álcool, o valor poderá chegar a R$ 3 mil, incluindo redução do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e doação, por parte dos usineiros, de mil litros de combustíveis. Covas afirmou que o País tem 5,7 milhões de carros com mais de 15 anos, que serão objetos da primeira fase do programa de renovação. Ele calcula que o Estado acumularia uma renúncia fiscal de R$ 40 milhões por ano por conta do desconto de ICMS. Caso todos os vendidos no projeto fossem movidos a álcool, a renúncia chegaria a R$ 180 milhões por conta do desconto de R$ 900,00 no ICMS e de 50% no IPVA. Os presidentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos do Grande ABC, Luiz Marinho, e de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, ameaçaram promover manifestações, caso o governo federal demore em confirmar a participação.





