Curitiba - Os cemitérios do Paraná vão ter que se adequar às novas regras ambientais regulamentadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Uma resolução assinada pelo secretário Luiz Eduardo Cheida, que vai entrar em vigor em 10 dias, visa a prevenir a poluição de lençóis freáticos oriunda de líquidos liberados por cadáveres decompostos (necrochorume). O principal ponto da nova resolução é a determinação de que todos os cemitérios façam um Estudo Prévio de Impacto Ambiental (Epia), que analisa se o local é propício para abrigar os jazigos, e um Relatório de Impacto Ambiental (Rima), que avalia as condições do solo e deve ser feito a cada três meses.
''Há uma polêmica se o necrochorume polui ou não os rios. Porém, na dúvida, a secretaria vai adotar uma medida preventiva e exigir que esses resíduos não cheguem até os lençóis freáticos'', explica Cheida. A preocupação é que principalmente os resíduos daquelas pessoas que morreram vítimas de doenças infectocontagiosas ou de câncer (e tenham sido tratadas com quimioterapia) entrem em contato com córregos submersos e que possam levar bactérias maléficas aos rios. Por isso, o ideal é que esses lençóis estejam o mais longe possível do solo, impossibilitando qualquer contato do líquido residual com a água.
O presidente do Sindicato dos Cemitérios Particulares do Paraná (Sincepar) e diretor administrativo do Cemitério Parque Iguaçu de Curitiba, Hernani Corto, discorda da idéia que resíduos de cadáveres possam ser poluentes. Contudo, ele afirma que os cemitérios vão se adequar, na medida do possível, às novas normas. ''Muitas vezes é complicado se ajustar rapidamente às exigências porque as famílias dos mortos também estão envolvidas. Boa parte delas não admite de forma alguma que seu parente seja removido para uma outra sepultura'', salienta. O superintendente da Autarquia dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina, Wilson Battini, concorda que é mesmo muito complicado mexer no que já está pronto e acredita que o cumprimento dessa resolução ainda vai gerar muita discussão.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) já havia determinado regras neste sentido para os cemitérios no início de abril. As novas regulamentações do Estado diferem basicamente no que concerne às mudanças nos cemitérios antigos. No último caso, as exigências para que eles se adaptem são mais rígidas e dão prazo de 180 dias. ''Os cemitérios do Paraná têm que, por lei, respeitar as regulamentações estaduais, mesmo que elas sejam mais restritivas'', alerta o coordenador da promotoria de Meio Ambiente do Estado, Saint'Clair Santos.

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