Brasília, 25 (AE) - O governo poderá usar a BR Distribuidora para conter aumentos considerados abusivos nos preços da gasolina. A possibilidade foi admitida pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e só será adotada se os reajustes das distribuidoras privadas para o consumidor ficarem acima dos índices tidos como aceitáveis e a concorrência não regular o mercado. A idéia é fazer com que a estatal reduza os preços para forçar a mesma queda nos postos concorrentes.
"Se for possível, vamos utilizar a BR em benefício de um controle; acho que pode ser feito, desde que com bom senso", disse Tourinho. Ele admite que uma medida para reduzir preços deve ser tomada com cautela. "A BR é uma empresa do governo, mas tem seus acionistas minoritários e é preciso respeitar esta composição", ressaltou.
O governo só pretende usar essa arma em última instância. O importante, diz Tourinho, é que os concorrentes saibam que o governo tem um instrumento à mão para reduzir os preços em caso de aumentos excessivos.
A BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, é a maior empresa do setor. Detém 35,2% do mercado de combustíveis e lubrificantes, seguida de longe pela Shell, com 21,8. Nos postos revendedores, a empresa tem 30% do mercado. São 7,2 mil postos BR em todo o País. Em segundo lugar vem a Ipiranga, com 23% do mercado e 5,6 mil postos. O setor tem cerca de 25 mil pontos de revenda de combustíveis.
Não será a primeira vez que o Ministério de Minas e Energia aciona a BR para controlar os preços dos combustíveis.
Em abril, a distribuidora decidiu fazer uma promoção nos postos de Salvador, por orientação de Tourinho, depois de receber denúncias de que os postos da capital baiana estariam acertando entre si os preços cobrados dos consumidores. O litro da gasolina da BR na cidade caiu de R$ 1,15 para R$ 1,05, forçando os demais postos a também reduzir seus preços.
Em fevereiro, Tourinho também determinou que a BR diminuísse seus preços em todo o País. Ele ficou irritado ao saber que a BR foi a empresa que mais elevou os preços depois do reajuste de 1,5% motivado pela revisão na alíquota do Cofins.

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