Brasília, 29 (AE) - O governo federal - ministérios do Desenvolvimento, das Relações Exteriores, a Secretaria de Comércio Exterior e o BNDES - está trabalhando em várias medidas para estimular a produção, exportação e substituição de importações do setor automotivo, com o objetivo de manter o emprego e melhorar o desempenho da balança comercial. Com as medidas, o setor estima exportar neste ano US$ 5,5 bilhões, contra os US$ 5 bilhões originais.
Estão sendo trabalhadas, nas diferentes áreas, várias estratégias, segundo informou o presidente da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), José Carlos de Pinheiro Neto.
O BNDES está preparando o financiamento à exportação de automóveis, usando recursos captados no mercado externo com emissão de papéis, lastreados em notas promissórias do importador (recebíveis). O banco também vai abrir linha de financiamento a fornecedores domésticos de auto-peças, com a finalidade de ampliar o índice de nacionalização dos carros produzidos no País, acelerando a substituição de importações, que ocorreria em decorrência da maxidesvalorização do real.
O Ministério das Relações Exteriores, por sua vez, vai dar respaldo às negociações das montadoras com países importadores de automóveis brasileiros, começando pelo Chile, para a realização de acordos bilaterais, a exemplo do que já fazem o México e o Canadá. Pelo acordo, os automóveis entram no mercado chileno sem impostos (hoje a taxação é de 11%). Em contrapartida, o governo brasileiro concede igual tratamento a produtos importados do Chile. A proposta da Anfavea é negociar acordos semelhantes também com a áfrica do Sul e Venezuela.
No plano interno, a indústria conta com a prorrogação do acordo de redução do IPI dos automóveis, que vigora até quatro de maio, e a aprovação do programa de renovação permanente da frota de veículos velhos (mais de 10 anos de uso), também com estímulo via redução do IPI e ICMS, e um bônus concedido pelas montadoras.
"Se conseguirmos todos esses programas, poderemos alcançar uma produção de 1,5 milhão de unidades no ano, mantendo um nível próximo de 1998", disse o presidente da Anfavea. Para isso, seria necessário o programa de renovação da frota estar vigindo a partir de julho.
Na batalha dos gabinetes, a indústria automobilística carrega bons argumentos para convencer o governo da oportunidade de parceria. A redução do IPI, iniciada em março, já produziu resultados positivos, aumentando as vendas, produção, enquanto manteve o nível de emprego e o preço interno dos automóveis.
As vendas no atacado, nos 20 primeiros dias de março, somaram 86.668 unidades, contra 25.316 unidades em igual período de fevereiro, ou seja, aumentaram 242%. No varejo, no mesmo período, as vendas cresceram 75%, passando de 33.037 para 57.991 unidades. Pinheiro Neto ressalva que o crescimento também se deu porque houve represamento de vendas em fevereiro, enquanto o consumidor esperava o acordo. Mesmo assim, houve aumento significativo de vendas, segundo ele.
As montadoras esperam renegociar a redução do IPI para novo período, mas reivindicarão aumento dos preços dos automóveis que, pelo acordo vigente, não pode mudar. A base da argumentação é o aumento de custos do alumínio, vidro, plástico e tintas, decorrentes da maxidesvalorização, não repassado ao preço final. Espera-se que, como resultado da negociação, o governo autorize o repasse apenas parcial dos custos, obrigando as empresas a absorver a outra parte.

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