Rio, 5 (AE) - O governo está estudando a possibilidade de comprar energia elétrica, mesmo em quantidades que não passem de 30% da capacidade das usinas, para atrair o interesse privado a novos projetos e em futuras privatizações.
Segundo o diretor de Planejamento da Eletrobrás, Benedito Carraro, a União seria compradora somente em última instância, no caso de haver grande dificuldade na concretização de novos investimentos ou mesmo para evitar o fato de não haver interessados em futuras privatizações.
A proposta foi levantada por empresários do setor e está em estudos no Ministério das Minas e Energia, na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e na Eletrobrás.
O desaquecimento da economia já está causando a revisão de alguns novos projetos, como o da usina de Garabi, na fronteira do Brasil com a Argentina, que produziria 1,5 mil megawatts (MW) de energia. O motivo é a possível ausência de demanda.
No ano passado, a queda no crescimento econômico provocou uma "economia" na geração de energia elétrica equivalente a uma usina de mil megawatts. Para este ano, a situação só não será pior porque, apesar de a indústria estar consumindo menos energia, o consumo residencial e comercial continua aumentando. "Nos últimos quatro anos, operamos um pouco divorciados do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)", comenta Carraro.
Furnas - No dia 23 será decidida, em assembléia de acionistas, a cisão de Furnas, que iniciará o processo de privatização da geradora, previsto para o segundo semestre deste ano. "A partir de junho as geradoras decorrentes da separação de Furnas estarão disponíveis para a venda do controle", afirmou o diretor Financeiro da Eletrobrás, Paulo Roberto Ribeiro Pinto, depois da reunião de apresentação do balanço do Sistema Eletrobrás na Associação Brasileira de Analistas do Mercado de Capitais (Abamec) do Rio.

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