Brasília, 21 (AE) - O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, confirmou hoje, durante café da manhã com jornalistas, que o governo estuda como eliminar todos os seis anexos existentes atualmente para ingresso de recursos para portfolio. Gleizer explicou que o que está em discussão é ter apenas um canal para o investidor entrar no Brasil. Uma vez no País, ele poderá migrar de uma aplicação para outra, em bolsas ou fundos de renda fixa, por exemplo. Segundo ele, isso é dar mais liberdade e mais flexibilidade ao investimento, mas com prudência e dentro das regras tributárias. O diretor do BC destacou que esse tipo de liberdade também evita oscilações bruscas na taxa de câmbio. Ele anunciou a intenção do BC de implementar, no ano que vem, o Registro Declaratório Eletrônico para os investimentos diretos que ingressarem no País. Esse registro, hoje, existe para portfólio. De acordo com Gleizer, a idéia é tê-lo para os investimentos diretos e, na sequência, para prazo, para empréstimos e financiamentos. Segundo Gleizer, não está decidido se isso será via Internet ou via Sisbacen. Informações - O diretor do BC considera que o registro eletrônico facilita o ingresso para o investidor, além de eliminar "quilos de papel". Outra vantagem destacada por Gleizer é que esse registro deverá ajudar a mapear para onde está indo o investimento direto. "O Brasil está próximo de ter um sistema de informações dos mais rápidos do mundo sobre investimento direto". O último censo feito pelo Banco Central sobre os investimentos diretores é de 1995.
Desde então, o volume de ingresso desses recursos no País tem batido sucessivos recordes, e o governo só tem indicações de que eles são destinados a compra de plantas, de participação em empresas e, mais recentemente, detectou que tem havido um aumento dos ingressos para os setores financeiro e de serviços. Nesse de serviços, principalmente hotelaria. Gastos - Daniel Gleizer confirmou que o Brasil deverá gastar entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões no Exterior no ano que vem. Disse, ainda no café da manhã com jornalistas, que o País continuará captando em euro e dólar e retomar as captações em iene. Segundo o diretor, é importante dar a sinalização aos investidores de quanto o País pretende captar para que ele possa ter uma idéia do volume dos papéis que estará disponível no mercado, ou seja: o investidor poderá saber com antecedência que não haverá um excesso de oferta do papel. Com isso, o País mantém um bom preço para o título do governo federal.
Gleizer disse que, em 2000, haverá um total de US$ 3,9 bilhões em amortizações de papéis da República. Ele explicou que a intenção é rolar essa dívida e, se der, fazer um "colchão" de mais US$ 2 bilhões. De acordo com o diretor do BC, além dessas captações, o Brasil poderá fazer troca de dívidas.

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