Governo estuda ajuda a curso pré-vestibular voltado a carentes
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 28 (AE) - O governo federal quer diminuir o fosso que separa estudantes carentes dos filhos de famílias abastadas na hora de disputar uma vaga na universidade. Está em estudo na Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, do Ministério da Justiça, um programa de ajuda financeira e didática a um novo tipo de curso pré-vestibular que começa a surgir nas capitais do País, voltado para o público de menor poder aquisitivo.
A idéia, segundo o secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori, é atacar também outro problema da desigualdade social brasileira: a questão racial. "As condições de competição no acesso à universidade não são iguais para a comunidade negra e não-negra", disse Gregori, hoje, ao participar de audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais do Senado.
Os cursos pré-vestibular que a secretaria planeja apoiar já existem em cidades como São Paulo e Rio e são mantidos pelas próprias comunidades, geralmente com apoio da Igreja. "Os professores são voluntários e as aulas, ministradas nos fins de semana em espaços públicos", esclareceu o diretor do Departamento dos Direitos Humanos da secretaria, Ivair Augusto Alves dos Santos, que espera liberar recursos ainda no primeiro semestre.
Sem revelar quanto o governo planeja destinar aos cursos pré-vestibular de cunho popular - a secretaria dispõe de recursos do Programa Nacional dos Direitos Humanos -, Santos antecipa que o objetivo é garantir a expansão desse tipo de iniciativa, fornecendo ainda material didático e oferecendo o apoio de técnicos do Ministério da Educação (MEC). "Mas não vamos interferir na autonomia e independência desses cursos", afirmou o diretor.
Tanto ele quanto Gregori, no entanto, enfatizaram que o governo não pensa em propor nada parecido com o sistema de cotas
em que vagas nas universidades são reservadas para estudantes de minorias étnicas e raciais. "Em vez de diminuir, as cotas incentivariam o preconceito", disse Gregori. "O que precisamos é de respostas afirmativas como o incentivo aos cursinhos".


