'Governo estimula invasões'
Na Fazenda Kelli, em Cascavel, 60 famílias vivem na área que foi invadida no dia 7 de setembro de 2005. O arrendatário Teunis Groenwold, que vivia da agricultura, disse que já amarga prejuízos de R$ 900 mil por conta da invasão. ''Eu perdi o que tinha, tive que cancelar meu plano de saúde, meus seguros de vida e meu plano de previdência privada. Minha vida econômica está inviável. Não sei mais o que vou fazer. Já perdi duas colheitas. Duas casas foram destruídas e estão retirando madeira do local para fazer barracos. São invasores sem orientação técnica e que vão acabar com a terra'', relatou.
Groenwold avisou a polícia e a própria Secretaria de Estado de Segurança Pública sobre a invasão e o mandado de reintegração de posse. Entretanto, nada teria sido feito. ''O governo estimula as invasões e as reinvasões com a demora para dar soluções'', afirmou o arrendatário. A fazenda tem 929 hectares, sendo que 798 explorados pela agricultura.
O MST resolveu ocupar a área porque ela estava em processo de hipoteca. A fazenda foi dada em garantia por uma dívida empresarial dos proprietários. O ex-marido da proprietária da fazenda, Evalsonir Ruzza, disse que a fazenda jamais vai ser vendida ao Incra. Ele pediu ontem imediata ação policial para devolução da área ao arrendatário. ''O que estamos assistindo é uma omissão brutal do Estado no que se refere ao cumprimento das reintegrações de posse'', disse o deputado estadual Homero Barbosa Neto (PDT).
Em Cascavel, a polícia justifica aos proprietários da terra que não pode fazer a reintegração de posse por falta de efetivo. Entretanto, havia a promessa de que ''em breve'' seriam tomadas as medidas necessárias para garantir a reintegração de posse.(L.P.)





