O combustível que alimentou a revolução industrial no século 19 está entrando em um ciclo de expansão no Brasil. Depois de ter perdido muito espaço na década de 90, o carvão volta à cena, favorecido por tecnologias que reduzem os danos ao meio ambiente, pela alta nos preços do petróleo e, principalmente, pelas usinas térmicas a carvão que serão construídas nos próximos anos.
O secretário de Mineiração e Metalurgia do Ministério de Minas e Energia, Luciano Borges, acredita em um desenolvimento da indústria carbonífera nos próximos anos. ‘‘As usinas térmicas a carvão podem ter uma participação importante como auxiliares do sistema hidrelétrico. Quando os reservatórios das hidrelétricas estiverem baixos, as térmicas a carvão podem produzir mais para complementar o sistema’’, disse.
Um das principais vantagens do carvão é a grande disponibilidade. Cálculos do Instituto Mundial do Carvão (WCI, entidade sediada em Londres) indicam que as reservas globais do produto são suficientes para 200 anos, ao ritmo atual de consumo. No Brasil, as reservas são estimadas em 32,4 bilhões de toneladas, o que, ao atual ritmo de consumo, seria suficiente para mais impressionantes 7,2 mil anos.
Contra o carvão, pesa principalmente o impacto ambiental, bem superior ao de seus principais concorrentes em geração termelétrica: o óleo combustível e o gás natural. Luciano Borges afirma, no entanto, que as novas tecnologias transforamaram um carvão em um energético ‘‘ambientalmente competitivo’’.
‘‘As usinas atuais fazem uma queima do carvão muito mais eficiente. A tecnologia aplicada na extração do carvão também evoluiu e hoje não deixa mais tantos resíduos no ambiente’’, explica. Mas Borges observa que ainda há muitas áreas danificadas pelo carvão que precisam ser recuperados pelas empresas.
O Programa Prioritátrio de Termelétricas (PPT) do governo federal prevê a instalação de três usinas a carvão mineral no País até 2004. ‘‘O projeto prevê que estas usinas serão instaladas na boca das minas de carvão para aproveitar ao máximo o potencial e reduzir custos’’, explica Borges.

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