Brasília, 06 (AE) - O Ministério da Aeronáutica espera reduzir em mais de 80% o número de vôos clandestinos que cruzam a Amazônia transportando drogas e armas, em 2001, quando entrar em ação o primeiro avião-radar do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Hoje, o protótipo do avião-radar e o de combate foram apresentados ao presidente Fernando Henrique Cardoso, na Base Aérea de Brasília.
A estimativa do ex-superintendente da Polícia Federal (PF) Vicente Chelotti é que 2,3 mil aviões cruzam o Brasil todo ano, transportando drogas e armas. O responsável pelo Sivam, brigadeiro-do-ar José Orlando Bellon, disse que os números da Aeronáutica são menores, mas não deu detalhes. Ele acredita que traficantes de drogas e contrabandistas de armas escolherão outras rotas, fora do território nacional, assim que os aviões-radares estiverem em ação.
O presidente Fernando Henrique espera assinar decreto regulamentando a lei que prevê a derrubada de aeronaves hostis, aprovada no ano passado, mas estuda forma de não atingir atos internacionais assumidos no passado. Segundo fontes militares, será possível derrubar aviões antes mesmo da regulamentação. Um oficial comparou hoje a derrubada de um avião à iniciativa de um policial que atira em um bandido.
A Aeronáutica já encomendou cinco aviões modelo EMB-145 SA, que têm radar para vigilância e controle de fronteiras, busca e salvamento, gerenciamento de espaço aéreo e inteligência de comunicações. O governo espera adquirir mais três aviões de sensoriamento remoto. A Aeronáutica pretende comprar cem aviões Super Tucano AL-X, que derrubam os alvos hostis detectados pelos aviões-radares. Hoje, os oficiais da Aeronáutica pediram a Fernando Henrique R$ 130 milhões para comprar aviões. O presidente ironizou e disse que esse valor pode ser negociado diretamente com o ministro da Defesa, Élcio álvares. "Nessa faixa, o ministro da Defesa resolve", disse. Radar - O EMB-145 SA é equipado com radar e centro de informações, que permite monitorar uma área de 400 mil quilômetros quadrados. Como é um radar móvel e tem oito horas de autonomia, aumenta sua área de patrulhamento dependendo do tempo de vôo. Em linha reta, o EMB-145 SA pode detectar um míssil Tomahawk a 150 quilômetros de distância, ou seja, permitindo que outra aeronave de apoio destrua o míssil.
O Super Tucano AL-X é um avião de combate leve e pode aterrissar nas áreas consideradas de infra-estrutura precária. Ambos os aviões são fabricados pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), que foi privatizada pelo governo.

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