Governo espera redução do protecionismo europeu
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 06 (AE) - O governo brasileiro não está esperando uma queda significativa no protecionismo agrícola da União Européia (UE). Por isso, se quiser aumentar as vendas para a região, o País vai precisar de criatividade e profissionalismo
na avaliação da ministra Maria Celina Azevedo Rodrigues - coordenadora-executiva da Cimeira/Rio 99. Ela disse ontem, durante seminário, não ter ilusões sobre a abertura européia. "Os europeus devem reduzir, mas não eliminar os subsídios agrícolas", disse.
"As perspectivas são limitadas", resumiu Maria Celina, referindo-se às chances do Brasil nas negociações em curso com o bloco europeu, seja dentro da Rodada do Milênio - que ocorre no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) -, seja nas negociações entre o Mercosul e UE.
Por isso, na sua avaliação, o Brasil precisa diversificar a pauta de exportações. Do total de US$ 14 bilhões que o Brasil consegue vender na região, US$ 6,7 bilhões são produtos agrícolas e agroindustriais. Destes, 50% estão concentrados em apenas cinco segmentos: complexo soja, café verde, suco de frutas (basicamente laranja), carne (incluindo aves) e tabaco.
Ela calcula que após a Rodada do Milênio, as exportações do agrobusiness brasileiro para a Europa podem crescer até 50% - o que representaria um ganho extra aproximadamente de US$ 3,0 bilhões. Mas para isso ocorrer, é preciso diversificar a pauta.
Mercosul - Também no bloco regional, o governo brasileiro espera dificuldades crescentes. Na avaliação do ministro José Antônio Marcondes de Carvalho, diretor-geral do Departamento de Integração Latino-Americana do Itamaraty, o período mais fácil da integração regional acabou.
As próximas fases - que envolvem coordenação macroeconômica, institucionalização do bloco regional, definição de plataformas comuns de exportação, entre outros pontos mais polêmicos - vão exigir muito mais dos governos dos quatro sócios.
O regime cambial argentino - que reduz a competitividade dos produtos daquele país - é tratado com muita ressalva pelos diplomatas brasileiros. Segundo Marcondes, nem o regime cambial, nem as recentes medidas protecionistas adotadas pela Argentina em defesa de alguns setores industriais, vão atrapalhar o Mercosul nas negociações internacionais.
Reunião - A reunião de chanceleres dos países do Mercosul e União Européia, marcada para 15 de novembro em Bruxelas (Bélgica), foi transferida para fevereiro do próximo ano por causa da Cúpula Hemisférica, que acontece em Havana (Cuba), no mesmo período, informou Maria Celina.


