Governo espera receber R$ 3,2 milhões da Ferropar
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os cofres do Estado aguardam R$ 3,2 milhões da Ferropar. Segundo o Palácio Iguaçu, vence hoje a primeira parcela, nesse valor, que a Ferrovia Paraná S/A (Ferropar) tem que pagar integralmente ao governo. Em 1996, a Ferropar passou a explorar economicamente os 248 quilômetros da Ferroeste, entre Cascavel e Guarapuava e o terminal de Cascavel.
É a primeira das 108 parcelas que a Ferropar precisa quitar integralmente desde ganhou o leilão da Ferroeste, há oito anos, pelos cálculos do governo Roberto Requião (PMDB). A Ferropar é um consórcio formado pela Gemon Geral de Engenharia e Montagens, FAO Empreendimentos e Participações Ltda., Pound S/A e América Latina Logística (ALL).
Como único interessado no negócio, o grupo ofereceu R$ 25,6 milhões pela ferrovia, o preço mínimo do leilão, e pagou R$ 1,2 milhão (5% do lance) à vista. A Ferropar ganhou três anos de carência para começar a quitar a dívida, que foi dividida em 108 parcelas trimestrais de pouco mais de R$ 1 milhão. O contrato tem validade por 30 anos.
Segundo o governo do Paraná, a primeira parcela venceria no dia 15 de janeiro de 2000, e as demais nos dias 15 de abril, de julho e outubro de cada ano, até 2026. Mas, em 31 de março de 2000, o consórcio teria avisado que não honraria o compromisso. De acordo com a Comunicação Social do governo Requião, o governo Jaime Lerner (PSB) concedeu à Ferropar um diferimento de quase 74% de todas as parcela que venceriam entre 2000 e 2003, o que em valores atuais atingiria R$ 26 milhões, segundo a Ferroeste. Com o diferimento, o consórcio assumiu o compromisso de investir na aquisição de locomotivas e vagões e cumprir metas mínimas de transporte de cargas. No entanto, segundo a direção da Ferroeste S/A, o consórcio não cumpriu o acordo, nem realizou os investimentos em equipamentos, sem atingir as metas de transporte da produção da região oeste.
''Em 2003, por exemplo, a meta era transportar 3,1 milhões de toneladas, mas a Ferropar só atingiu 1,1 milhão. De 1997 a 2003, a meta era de 16,7 milhões de toneladas, mas não ultrapassou a 6,6 milhões'', afirmou o diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, através da agência de notícias do governo. ''Os produtores foram obrigados a escoar a safra por caminhões, pagando mais caro pelo frete e diminuindo seus lucros. E o Paraná sofreu com o desgaste de sua malha rodoviária e com as imensas filas de caminhões na BR-277 e no porto'', completou Gomes.
De acordo com o presidente da Ferroeste, Martin Roeder, a Ferropar não investiu na compra de locomotivas e vagões. Segundo ele, para cumprir a meta de transporte a que se comprometeu, o consórcio deveria possuir hoje 60 locomotivas de 2,5 mil HPs e 732 vagões com capacidade para 60 toneladas cada. Mas até o momento, a Ferropar só dispõe de 17 locomotivas, de 1,6 mil HPs, e 260 com capacidade de 45 toneladas cada. A atual administração analisa o contrato feito na gestão anterior desde janeiro, por determinação de Requião.


