Governo espera matricular 97% das crianças no ensino fundamental
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 10 (AE) - Perto de garantir o acesso ao ensino fundamental de quase toda a população entre 7 e 14 anos, o Brasil tem pela frente desafios como diminuir a taxa de analfabetismo de jovens e adultos e melhorar a qualidade do que é ensinado em sala de aula. No ano passado, a matrícula de 1.ª a 8.ª série atingiu 95,8% das crianças e jovens em idade escolar. O objetivo traçado no começo da década era o de garantir a universalização desse nível de ensino considerado básico, ou seja, assegurar o acesso de todas as crianças à escola. Diante das dimensões geográficas do País, no entanto, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, entende que uma taxa de 97% é o mais próximo que se pode chegar da universalização do ensino fundamental. "Num país do tamanho do Brasil, sempre há 2% ou 3% da população que não podem ser atendidos", disse ele, que prevê uma taxa de matrícula próxima a 97% já este ano.
O desempenho da educação brasileira nesta década, tendo como parâmetro as metas fixadas durante a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, que reuniu 157 países em Jomtien, na Tailândia, em 1990, foi analisado hoje por Paulo Renato, dirigentes do Ministério da Educação (MEC), integrantes do Conselho Nacional de Educação (CNE) e representantes de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
"O Brasil avançou, mas não no sentido de cumprir todas as metas", observou o presidente do CNE, Éfrem Maranhão. É o caso do analfabetismo, que atingia 20% da população com mais de 15 anos no começo dos anos 90 e, em 1997, 14,7%. A meta para o ano 2000 é reduzir a taxa para 10%.
Outro problema é a distorção idade/série, em que estudantes têm idade acima da prevista para a série na qual estão matriculados. No ensino fundamental, essa taxa era de 46,7% no ano passado. Isso significa que dos 35,8 milhões de alunos nesse nível de ensino, 16,7 milhões tinham idade acima do previsto. Desse total, 8,5 milhões tinham 15 anos ou mais, de modo que, pela idade, já poderiam estar cursando o ensino médio (antigo 2.º grau).
De acordo com o representante da Unesco no País, Jorge Werthein, o Brasil teve o melhor desempenho na década entre os nove países em desenvolvimento mais populosos do planeta (Bangladesh, Brasil, China, Egito, Índia, Indonésia, México, Nigéria e Paquistão). "Isso graças ao tremendo poder mobilizador da sociedade", destacou Werthein. "Mas escolarização não é o mesmo que universalização, que pressupõe a qualidade dos conteúdos." Em setembro, o MEC deve passar à Unesco um balanço da evolução educacional do País nesta década. Os dados servirão de base a um documento a ser elaborado pela entidade para o encontro de dirigentes dos nove países em desenvolvimento mais populosos, em dezembro, no Recife.


