Governo espera manter estabilidade no preço do café
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 19 (AE) - O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cesar Samico
informou hoje que o governo espera manter os preços do café estáveis nos próximos meses em consequência das medidas aprovadas para o setor pelo Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDP) e anunciadas pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes na semana passada. Samico explicou que o aumento nos preços do café registrado nas duas últimas semanas foi causado, primeiro, porque estes estavam muito baixos e, em segundo lugar, pela própria expectativa dos demais países produtores em relação à política de longo prazo para o setor cafeeiro que seria anunciada pelo Brasil.
A expectativa do mercado, conforme ele, foi ampliada com a informação de que, a partir de abril do ano que vem, haverá R$ 600 milhões disponíveis para pré-comercialização de café. Além disso, citou a continuidade da seca em algumas regiões produtoras como outra causa da alta de preços, na medida em que esta poderia provocar quebra na produção. Já a queda no preço do produto, verificada nesta semana, ocorreu, segundo ele, porque os preços - que estavam muito baixos há 15 dias (US$ 115 a saca)
subiram muito, chegando a US$ 160 a saca. "A tendência agora é estabilizar", afirmou.
Após a oscilação de preços verificada nas últimas semanas, Samico acredita que os preços do café se manterão estáveis e em um nível elevado nos próximos meses. A razão para isso, segundo ele, está na liberação de R$ 200 milhões para pré-comercialização da safra 1999/2000, que permitirá a retenção na mão dos produtores de 2 milhões de sacas de café, e da autorização para que os produtores transformem a dívida de R$ 260 milhões, referente a custeio-colheita da safra 1998/99, com vencimento previsto para o dia 30 deste mês, em pré-comercialização. Esta última medida, que deverá ser aprovada na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), ainda neste mês, permitirá a retenção de mais 2,5 milhões de sacas de café.
Com a liberação desses recursos este ano e com a disposição de aplicar R$ 600 milhões em pré-comercialização da safra 2000/2001, o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura acredita que o Brasil, maior produtor e exportador de café, conseguirá manter os preços em um bom patamar até metade do ano que vem, quando a próxima safra do produto entrará no mercado. Para tanto, ele observa que a colheita deste ano, de 25 milhões de sacas, acrescida de um estoque de passagem de 4 milhões de sacas - o que totaliza 29 milhões de sacas - deverá ser totalmente comercializada nesse mesmo período. As vendas, conforme ele, virão com o consumo interno de 12 milhões de sacas, exportação de uma cota de 15 milhões de sacas, e a venda de 2 milhões de sacas para os fabricantes de café solúvel. "Isto nos dá margem para manter os preços em um bom nível, já que não haverá superoferta de produto", observa.


