Governo espera estabilização de preço do petróleo para decidir eventual aumento
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 15 (AE) - A equipe econômica do governo quer esperar uma melhor definição sobre os preços internacionais do petróleo antes de adotar medidas para rebatê-lo. "Primeiro, é preciso definir o tamanho do problema, para depois decidir o que fazer", disse hoje o secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero. Em outras palavras, assim que tiver clareza sobre a cotação média do petróleo ao longo deste ano, o governo poderá decidir se aumenta os preços dos derivados - e arca com as consequências disso sobre a inflação e os juros - ou se mantém os preços dos combustíveis como estão e compensa a falta de reajuste com outros recursos da área fiscal.
No entanto, segundo explicou o secretário-adjunto, o quadro ainda é muito instável. Ele lembrou que em março termina o acordo dos países produtores de petróleo que restringiu a produção em todo o mundo. Foi o estabelecimento de cotas de exportação que puxou o preço do produto para cima. No início do ano passado o Brasil comprava petróleo a US$ 11,00 o barril. Atualmente, o preço está pouco acima dos US$ 27,00.
Segundo Montero, o pessimismo que dominou os mercados futuros de petróleo nas duas últimas semanas - e levou a cotação do petróleo texano à barreira psicológica dos US$ 30,00 - foi gerado por sinais de que o acordo será prorrogado. Houve uma manifestação do ministro do petróleo da Arábia no sentido de manter as cotas. Além disso, o Iraque tem ameaçado parar com as exportações do produto, caso não sejam reduzidas as restrições comerciais que hoje impedem compras de diversos bens por aquele país.
Por outro lado, outro importante produtor - o México - tem mantido uma posição no sentido de aumentar a oferta internacional do petróleo. Também a Venezuela precisa das receitas obtidas com a exportação do produto para reconstruir suas regiões devastadas pelas enchentes.
Apesar das incertezas, o mercado futuro projeta queda no preço do barril ao longo dos próximos meses. "Não há dúvida de que haverá queda; a questão é a intensidade", comentou Montero. Na média do ano, o preço do barril está projetado em torno de US$ 25,00. Há duas semanas, a projeção estava em torno de US$ 23 00.
A segurança de que o preço do petróleo cairá se deve à aproximação do fim do rigoroso inverno no hemisfério norte. "O frio foi pior do que se esperava", disse o secretário-adjunto. Por isso, houve maior consumo de petróleo para aquecimento. Com o fim do inverno, desaparecerá uma fonte de forte pressão sobre os preços do barril. Além disso, há o possível fim do acordo de restrição de oferta por parte dos países produtores em março.
Há ainda um terceiro fator que poderá contribuir para a queda do preço do petróleo: a própria alta nas cotações. Com o preço mais alto, algum país integrante do cartel poderá se sentir estimulado a vender petróleo além da sua cota, o que acabará pressionando os preços para baixo. "Quando o petróleo sobe demais, a tentação de pular fora é grande", comentou.
Reajuste - Montero não quis comentar sobre a possível data de um novo aumento nos preços dos derivados de petróleo. Neste ano, apesar da constante elevação da cotação internacional do produto, nada foi repassado ao consumidor. A diferença entre o custo de produção dos derivados de petróleo e o preço cobrado no mercado interno tem sido bancada pelo Tesouro Nacional, na forma de redução no saldo da conta-petróleo.
A conta-petróleo registra a diferença da cotação internacional do petróleo e o preço dos derivados no mercado interno. Até meados do ano passado, quando o barril estava barato, a conta acumulou um saldo positivo. Esse saldo está sendo consumido agora, à medida em que a alta internacional do petróleo não é repassada ao consumidor.
No ano passado, embora tenha ficado menor do que o esperado, o saldo da conta-petróleo ajudou o governo a fechar suas contas com resultado positivo, dentro do acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Neste ano, economias obtidas pelo governo em outras áreas poderão compensar um mau desempenho da conta-petróleo. "Poderá não haver reajuste ou porque o mercado se assenta, ou porque há outras fontes para recuperar perdas fiscais com a conta-petróleo", comentou Montero. Ele ressaltou, porém, que não há decisão sobre isso.
O secretário-adjunto lembrou que, no ano passado, o governo foi obrigado a contornar frustrações muito maiores com relação ao seu resultado fiscal, como a perda da arrecadação da contribuição dos funcionários públicos inativos. "Uma redução no saldo da conta-petróleo é uma fração das dificuldades que enfrentamos no ano passado", disse Montero.
A vantagem de não promover reajustes no preço dos combustíveis agora é evitar novas pressões sobre a inflação. Dessa forma, o cenário fica mais favorável para o Banco Central promover novas reduções nas taxas de juros.


