Governo espera crescimento de 0,6% do PIB este ano
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 08 (AE) - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá pelo menos 0,6% neste ano, podendo chegar a 1%, disse hoje o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. "Um crescimento de 0,6% passou a ser piso de nossas previsões", disse. No início do ano, logo após a desvalorização do real, o próprio governo chegou a trabalhar com uma previsão de queda do PIB entre 3,5% e 4% em 99. Para 2000, as projeções embutidas no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para crescimento do PIB de 4%.
O desempenho da indústria, principalmente no segundo e no quarto trimestres do ano, e da agricultura, no primeiro e segundo trimestres de 99 foram os responsáveis pela virada nas estimativas, conforme disse Amadeo. O crescimento da produção industrial foi impulsionado pelo processo de substituição de importados, em função da desvalorização do real ante o dólar.
O secretário acredita que o processo de crescimento da produção e das vendas, principalmente dos bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, deverá continuar ao longo do próximo ano, graças a melhores condições de crédito. "O setor dá sinais de vigor", comentou.
Ele explicou que, entre maio e abril deste ano, foi observado um crescimento de 15% no volume de crediário a pessoas físicas, e esse nível teria sido mantido até novembro. A melhora do cenário para os bens de consumo duráveis é importante, pois esse segmento foi mais afetado após a crise asiática. A produção e consumo de bens não-duráveis não sofreu impactos importantes com a crise, informou o secretário.
Amadeo disse que o crescimento de 4% previsto para o próximo ano ocorrerá sem aumento da inflação. Na avaliação de alguns analistas, maiores volumes de consumo em 2000 poderiam puxar os preços para cima. No entanto, o secretário aposta que os aumentos de produtividade registrados nos últimos dois anos, aliado à existência de capacidade ociosa e a um ainda elevado índice de desemprego permitirão crescer sem causar inflação. "Durante 12 meses, por conta da capacidade ociosa, a economia será capaz de responder a um aumento da demanda sem elevar preços", apostou.
Embora o governo espere um crescimento de 4% em 2000, a maioria dos analistas de mercado trabalha com projeções de no máximo 3% para a expansão do PIB. "A diferença entre as nossas projeções e as deles está basicamente na análise sobre o desempenho da agricultura", explicou.


