A pedido do governador do Tocantins, Siqueira Campos, desembarcaram ontem no Estado cerca de 900 soldados do Exército para restabelecer a ordem pública, afetada pela greve de policiais militares iniciada há uma semana. A maior preocupação do governo federal é com a retomada - ainda sem data marcada - dos quartéis ocupados pelos PMs e esposas, momento em que poderá ocorrer confronto entre as tropas militares armadas e os grevistas.
O governo federal pretendia enviar apenas 500 homens para Tocantins, mas após avaliar a seriedade da situação decidiu ampliar a equipe para 900 militares e manter outros 180 militares de prontidão na cidade goiana de Cristalina. Enquanto o Exército desembarcava em Palmas, capital do Estado, com grande quantidade de arame e armamento pesado, PMs lotados no interior também começavam a chegar à cidade para ajudar os grevistas e prometem não sair dos quartéis.
O comandante da tropa do Exército enviada a Palmas, general Rubem Peixoto Alexandre, que pertence à 3ª Brigada de Infantaria Motorizada de Goiânia, não quis falar como será a atuação dos militares na região. Mas uma das funções dos militares será a de substituir os PMs no policiamento de rua e garantir a integridade dos prédios públicos.
O clima continua muito tenso em Palmas e em várias cidades do interior, cujos quartéis estão ocupados pelos grevistas. Ontem, a presidente da Associação dos Cônjuges e Pais de Praças da PM e Bombeiros de Tocantins, Lúcia Machado Mendes, garantiu que os familiares dos policiais continuarão dentro das guarnições.
‘‘Estamos zelando e cuidando dos quartéis, mas se as tropas federais vierem irão negociar com a gente, com certeza. Estamos só defendendo nossos filhos e nossos maridos’’, afirmou Lúcia. Os grevistas cercaram o 1º Batalhão da PM em Palmas com barricadas e continuam armados.
Diariamente chegam diversos veículos do interior com mais grevistas fortemente armados que se integram aos demais.
O fim de semana foi nervoso em Palmas, onde a maior parte dos bares e restaurantes evitou abrir à noite temendo os assaltos, que triplicaram nas últimas horas. No sábado, dois supermercados foram roubados, e os demais fecharam por volta das 18 horas. As ruas estão praticamente desertas e somente há movimento em frente ao 1º BPM, próximo ao aeroporto da cidade.
O vendedor Cosme Eurico Gomes da Silva, de 20 anos, foi ferido gravemente por policiais federais. Os agentes da PF estavam patrulhando as ruas sob o argumento de combater o tráfico de drogas e afirmam que Silva não obedeceu à ordem para se identificar e foi alvejado quando subia em uma moto. O rapaz está gravemente ferido na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Regional de Palmas.
Os PMs reivindicam um aumento salarial de 47% e pedem melhores condições de trabalho, mas o governador de Tocantins, Siqueira Campos (PFL), só quer negociar com o fim do movimento. Pela avaliação do comando de greve, praticamente todos os policiais militares estão parados no Estado e aquartelados.

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