Governo endurece contra narcotráfico
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sábado, 21 de fevereiro de 1998
Cristiana Lobo Agência Estado 
Foto Arquivo FolhaFederais em ação em Curitiba: sistema vai integrar todos os órgãos do segmento no PaísOs crimes de assalto e homicídio estão cada vez mais diretamente vinculados ao narcotráfico. Essa constatação, feita pelos órgãos de inteligência do governo, preocupa o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mais ainda por estar associada a outra informação: o Brasil, que já é rota do narcotráfico, é um dos países onde o consumo de drogas mais tem aumentado.
Diante deste cenário, o combate ao narcotráfico transformou-se em prioridade para o governo e levou o presidente a decidir pela criação de uma Secretaria Especial da Política Nacional do Controle de Drogas, diretamente vinculada à Presidência da República. Esta secretaria será anunciada em março, e deverá centralizar todas as atividades relativas ao narcotráfico. Atuará em três frentes: repressão ao narcotráfico, prevenção ao uso de drogas e recuperação de usuários.
Cada vez mais o narcotráfico está permeando os crimes na área de segurança pública e combater o crime organizado só é possível de forma também organizada, a partir de coordenação da inteligência e de planejamento estratégico, afirma o chefe do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso, incumbido pelo presidente de coordenar os estudos para o combate ao narcotráfico. Segundo o general, no Brasil ainda é relativamente fácil atacar o crime organizado porque ele ainda não está enraizado.
O general reconhece que o narcotráfico evoluiu muito mais rapidamente, em termos de aprimoramento da formas de atuar, do que a capacidade da sociedade para perceber isso. Cardoso observa que o narcotráfico entrou no Brasil e sem que se percebesse muito claramente, ele foi se aproximando e cooptando estruturas aqui organizadas ligadas à contravenção - o jogo-do-bicho, por exemplo. Daí em diante, para se espalhar por todo o País de forma organizada foi um passo relativamente fácil, avalia.
EstratégiasO governo reconhece que o narcotráfico, por ser uma atividade de alto potencial de lucro, acaba ganhando simpatia de fatias da população, o que se traduz na relação de traficantes com moradores de pontos próximos - como nos morros do Rio de Janeiro ou pequenos agricultores de maconha no sertão de Pernambuco. Pela natureza e complexidade deste problema, ele deve ser atacado de forma integrada, diz o general Cardoso.
Desta forma, dentro do chamado planejamento estratégico para criação dessa secretaria especial de combate ao narcotráfico está a idéia de integrar as ações dos diversos órgãos federais que tratam do assunto (pelo menos 12 organismos federais) desde o Departamento de Polícia Federal ao Conselho Federal de Entorpecentes e, especialmente, as ações desenvolvidas nos 26 estados e no Distrito Federal.
Convencido de que precisa agir simultaneamente nas três frentes - combate, prevenção e recuperação de viciados - objetivamente o governo deve agir para atacar a produção de drogas, a comercialização e a demanda. Como no Brasil não há produção intensa de drogas como a cocaína, o governo pretende agir junto a governos de outros países produtores, e também nas áreas de refino e organizações criminosas. No caso da maconha, atacar o cultivo interno. No combate à comercialização, a idéia é ampliar revistas em alfândegas, rotas terrestres e aeroportos clandestinos.
Na área de prevenção, o alvo principal são os estudantes de 2º grau. Para isso, a idéia é insistir no esclarecimento nas escolas, e também de pais, e mobilização de comunidades, e uma ação especial junto à indústria do entretenimento. Diz o governo que há certa glamourização do uso da droga - em filmes, a existência de personagens usuários de drogas que no enredo até sensibilizam o público. Há a recomendação de tolerância zero com usuários de drogas no trabalho.


