Brasília, 30 (AE) - Representantes do governo e da sociedade civil assinaram hoje documento com 17 compromissos , marcando o início do projeto Convocação Nacional Pela Educação para a Paz. A maior preocupação é com o crescimento dos casos de homicídios dentro das escolas. Só na Grande São Paulo foram oito no primeiro semestre deste ano, contra dois em todo o ano passado.
"A violência nas escolas sempre existiu, mas o que está chamando atenção é a chegada da violência fatal", disse Oscar Vilhena Vieira, secretário-executivo do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e Tratamento do Delinquente. Os dados sobre a Grande São Paulo incluem homicídios cometidos por alunos, professores e casos de assaltantes que entram nas escolas e provocam o crime.
Números - Oscar Vilhena não considera "assombrosos" os números da violência. "No ano passado, em São Paulo, foram 10 casos em área escolar entre 12 mil homicídios ocorridos em todo o Estado", argumentou. O que preocupa não é a estatística, mas o fato da violência ocorrer em uma instituição de ensino. As ocorrências são, geralmente, em regiões mais pobres, em bairros da periferia. "É onde é maior o impacto diante dos grandes problemas sociais, como o desemprego, a droga, a bebida", disse.
Coordenadora de dois programas no Distrito Federal, o SOS Galera e o Se Liga Galera, a jornalista Liane Muhlenberg concorda com o representante das Nações Unidas. "Geralmente, a violência é gerada primeiro dentro de casa e o aluno a carrega para a escola", disse ela.
Compromissos - O Ministério da Educação, o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (Consed), a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), a Unesco e a Unicef assinaram o documento de compromissos, entre eles a promoção da cidadania, estímulo à discussão de valores éticos, integração entre escola e comunidade e o incentivo aos programas de grêmios para organização de atividades para os alunos.
A parceria com os sistemas de segurança pública é um dos itens, mas os educadores deixaram claro que não é possível criar bunkers nas escolas. "A polícia deve ser treinada e, de preferência, a polícia feminina deve ser destacada para acompanhar problemas", defendeu Oscar Vilhena. "Não podemos combater a violência com violência", reforçou o presidente do Consed, Efrem Maranhão.
Os educadores também defendem a aproximação da escola não apenas com os pais de alunos, mas com toda a sociedade, incluindo igrejas e associações comercais. "O Brasil tem muitas experiências que podem ser ampliadas", afirmou Vilhena. A agenda de compromissos também marcou para o período entre 10 e 15 de outubro A Semana Nacional da Paz e uma avaliação dos resultados alcançados pela campanha em junho do próximo ano.
Para o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, a escola deve preparar-se para a formação integral do aluno, considerando regras de convivência social e de paz. "Mas a escola só vai conseguir atingir seu objetivo se chamar a comunidade para discutir o caminho mais adequado", disse ele. O ministro defendeu a participação da sociedade na definição de atividades esportivas e culturais que eduquem e preencham o tempo do estudante.O governo federal, disse, dá sua contribuição com a divulgação de parâmetros curriculares, que incentivam a discussão em sala de aula de temas como a ética e a cidadania.

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