Governo é ruim para 44% dos brasileiros ouvidos pelo Ibope
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 27 (AE) - O governo de Fernando Henrique Cardoso alcançou em maio o menor índice de popularidade junto aos brasileiros, segundo pesquisa nacional realizada pelo Ibope e divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados apontaram que 44% dos entrevistados consideram a administração de Fernando Henrique ruim ou péssima e apenas 18% têm uma avaliação positiva, entre bom e ótimo. A falta de confiança no presidente é ainda maior: 62% disseram não confiar, contra 35% que confiam em Fernando Henrique. O levantamento foi feito com dois mil eleitores acima de 16 anos em todo o País, entre os dias 13 e 17 de maio, antes das novas denúncias sobre a interferência de Fernando Henrique no leilão das teles para beneficiar determinado consórcio.
Pela primeira vez na série de pesquisas realizadas pelo Ibope/CNI desde 1996, entre os mais pobres a avaliação negativa do governo de Fernando Henrique (39%) supera a positiva (24%). Mesmo com um desgaste político crescente apontado na pesquisa, o presidente Fernando Henrique ainda detém o melhor desempenho entre a classe política. A confiança das pessoas entrevistadas no presidente é maior do que nas outras lideranças e instituições políticas - governadores (32%), prefeitos (29%), Congresso Nacional (24%), partidos políticos (15%) e políticos (12%). Enquanto 86% dos entrevistados disseram não confiar nos políticos, a Igreja católica foi a instituição que apresentou melhor índice de confiança (75%).
A crise de credibilidade não atinge apenas a classe política: a desconfiança sobre Fernando Henrique é a mesma apresentada com relação aos empresários (62%). Para o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), que também é líder do governo no Senado, a classe política sempre foi "mal afamada" no Brasil, mas o descrédito no presidente Fernando Henrique e em seu governo é decorrência da conjuntura econômica. "Estamos vivendo uma crise econômica sem precedentes na nossa história, como também a capacidade de recuperação da economia", afirmou Bezerra, para argumentar que acredita no resgate da popularidade de Fernando Henrique. "Se é verdade que esse desgaste é em decorrência da crise econômica, eu acredito na recuperação da popularidade do presidente porque confio na recuperação econômica."
Em contraste com a avaliação política negativa, os entrevistados pelo Ibope revelaram que estão mais otimistas quanto à conjuntura econômica. Enquanto em março 55% achavam que o ano de 1999 seria bom ou muito bom, em maio este índice subiu para 61%. O índice nacional de expectativa do consumidor, apurado pela CNI/Ibope a partir dos resultados da pesquisa, subiu 3,6% desde março. Para a CNI, este fator reflete que está passando o clima de incertezas que se seguiu à desvalorização cambial.
A satisfação dos brasileiros com a vida permanece como em março - 66% se dizem satisfeitos e 4% muito satisfeitos. Mas o maior medo do brasileiro continua sendo o desemprego. Pela primeira vez na série de pesquisas realizadas pela CNI, o medo do desemprego atingiu a maioria absoluta dos entrevistados - 52% declararam-se com muito medo de perder o emprego, enquanto 6% já tinham sido afetados pelo desemprego. Na maioria dos casos, era o chefe de família quem estava desempregado. Ao mesmo tempo, 71% das pessoas acham que nos próximos seis meses haverá um aumento do desemprego. Quase metade das pessoas entrevistadas (48%) acham que o governo deveria incentivar as pequenas empresas para melhorar os índices de emprego.


