Governo e produtores tentam amanhã acordo sobre transgênicos
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 6 (AE) - A Procuradoria Geral do Estado (PGE) participa amanhã (7) de audiência de conciliação com representantes do Sindicato Rural de Tupanciretã no fórum do município . A reunião foi convocada pelo juiz Diego Leonardo Piñeiro, numa tentativa de fazer um acordo entre governo e produtores sobre a ação da Secretaria da Agricultura do RS em busca de sementes e lavouras de soja transgênica na região.
O juiz suspendeu a fiscalização no município até a audiência, que deve começar as 9 horas. A decisão foi tomada em resposta a uma ação movida pelo sindicato rural, que questiona a competência do governo estadual na vistoria das propriedades.
Conforme a Secretaria da Agricultura, as inspeções nas demais regiões produtoras de soja prosseguem normalmente, "se necessário com o apoio da Brigada Militar (a PM gaúcha)". Por causa da ação judicial impetrada em Tupanciretã, o secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, cancelou a reunião programada para hoje à tarde com representantes dos produtores e da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).
Crédito - Ontem Hoffmann anunciou a liberação de R$ 10 milhões pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) para financiar a substituição de lavouras transgênicas por convencionais. Os empréstimos terão juros normais de custeio de 8,75% ao ano. Os pedidos podem ser encaminhados a partir de quarta-feira nas agências do banco e nos escritórios da Emater-RS.
O presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, classificou de "insignificante" a linha de crédito de R$ 10 milhões anunciada pelo governo gaúcho para a substituição de soja transgênica por convencional. De acordo com ele, os recursos são insuficientes para cobrir o custo de substituição das lavouras neste período final de plantio. Sperotto disse ainda que os produtores terão receio de tomar o financiamento porque a operação poderia servir como indício do plantio ilegal da soja transgênica.
Troca - O secretário Hoffmann garantiu hoje que a linha de crédito oferecida pelo Banrisul para substituição de lavouras de soja transgênica por soja convencional "não é uma cilada" para flagrar os produtores que tenham plantado o grão geneticamente modificado. "Não vamos fazer jogo sujo; é uma oportunidade para legalizar a situação do produtor" ,disse. Conforme o secretário, para se habilitar ao crédito os agricultores terão de submeter suas lavouras ao teste de transgenia. Os resultados das análises, entretanto, não serão utilizados como peça de acusação contra eles, disse o secretário. Segundo Hoffmann, a declaração do presidente da Farsul, Carlos Sperotto, de que os produtores estariam temerosos em se candidatar ao financiamento é uma "tentativa de criar confusão para impedir o sucesso da iniciativa do governo".


