Governo e MST não chega a acordo na Bahia
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Roldao Arruda 
Porto Seguro, BA, 17 (AE) - O governo da Bahia e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra enfrentam uma situação de impasse em Porto Seguro, no litoral sul do Estado. Até o início da noite de hoje representantes das duas partes não haviam chegado a um acordo sobre o destino de quase 3 mil sem-terra que marcharam até a cidade histórica para um protesto.
O governo colocou ônibus à disposição do movimento para levar as pessoas até as regiões de onde vieram. Mas a direção do MST quer transporte até Salvador, para participar da ocupação da sede do Incra. Se não houver um acordo, os sem-terra poderão ficar em Porto Seguro, ou alguma cidade vizinha, até o dia 22 de abril, quando serão feitas as comemorações oficiais dos 500 anos do Descobrimento.
Os sem-terra haviam prometido que deixariam Porto Seguro tão logo o ato de protesto terminasse."Não acertamos, porém, para onde iríamos", disse hoje um dos líderes do MST no Estado, o catarinense Ademar Bogo. "Continuamos dispostos a sair, mas quem define o destino somos nós."
Encontro - O principal objetivo dos líderes do MST é forçar um encontro com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungman, para discutir a questão da reforma agrária na Bahia. Eles disseram hoje que isso poderá ser feito em Salvador, em Porto Seguro ou Cabrália - onde ficará concentrada a maior parte das celebrações oficiais.
Os sem-terra chegaram a Porto Seguro às 17 horas e marcharam até o fórum da cidade. Enquanto o ato de protesto era realizado, numa casa ao lado, o coronel Cristóvão Rios, chefe da Casa Militar do governo do Estado, e Walmir Assunção, líder do MST, negociavam. Também participava da reunião o deputado federal Jaques Wagner, do Partido dos Trabalhadores.
Índios - Os índios não participaram do ato de protesto. Até o início da noite de hoje as informações sobre a sua ausência eram desencontradas. O bispo d. Tomás Balduíno, que é ligado ao Conselho Indigenista Missionário, disse que não se sabia se os ônibus com a caravana de representantes indígenas haviam sido desviados do local pela Polícia Militar ou se as lideranças haviam voltado atrás na decisão anunciada um dia antes.
Conferência - Começa amanhã (18) em Coroa Vermelha a Conferência dos Povos Indígenas, que reúne 1.500 representantes de diversos grupos espalhados pelo País. Até hoje a maior parte do grupo estava acampada ao pé do Monte Pascoal. O presidente da Funai, Frederico Marés, que participará da conferência, esteve no local para cumprimentar e conversar com os índios. No fim da manhã, eles fizeram uma caminhada simbólica até o topo do monte.
Debates e protestos - No domingo, após uma série de debates, os representantes indígenas haviam anunciado que participariam do ato dos sem-terra. Mas o grupo encontra-se dividido. Uma parte defende atos de protesto vigorosos, para se opor às celebrações oficiais, enquanto outra propõe ações mais moderadas, que não se choquem com a programação do governo.


