Governo e militares rechaçam críticas de ineficiência
Ancara, 23 (AE-ANSA) - O governo e o exército da Turquia se uniram hoje (23) na reunião do Conselho de Segurança Nacional para enfrentar as críticas da opinião pública e dos meios de comunicação sobre a lentidão e ineficácia com que foi enfrentada a catástrofe que devastou o país na terça-feira.
O vice-ministro do Turismo, Erkan Muncu, do partido Anap, de Mesut Yilmaz, denunciou o "fracasso do Estado", que não conseguiu garantir a segurança dos cidadãos nem intervir eficazmente depois do terremoto.
"Não se trata apenas da gente mais pobre, mas que também o sistema político e administrativo ficou sob os escombros", afirmou duramente Muncu.
O Conselho de Segurança, do qual participam o presidente, Suleyman Demirel; o premier, Bulent Ecevit; e os generais, não pôde responder de maneira satisfatória às reclamações da população.
No comunicado final, o conselho evitou qualquer autocrítica e se limitou a agradecer a colaboração das instituições, forças armadas, civis e estrangeiros, destacaram observadores.
Durante a reunião - definida como "acalorada" por fontes bem informadas -, Ecevit rechaçou com firmeza a hipótese de declarar o estado de emergência, como haviam solicitado os militares.
O conselho convidou a população a apoiar o Estado em sua tarefa de enfrentar as consequências da catástrofe e sublinhou que agora o importante é dar assistência aos sobreviventes e preparar a reconstrução.
O ministro Mancu também afirmou que a incapacidade de enfrentar o terremoto e administrar as ajudas demonstra que "o país é demasiadamente complexo e dinâmico para ser governado por Ancara".
Alheios às críticas, o presidente Demirel, o premier Ecevit e os generais continuam repetindo que foi feito todo o possível e que não houve demoras, uma avaliação que não encontra eco na população e nos meios de comunicação.
Igualmente, o governo sustentou que as reformas, em especial as da previdência que tanto irritaram os trabalhadores, seguirão em frente.
"É necessária uma anistia geral para todos os detidos, inclusive os políticos", defendeu o secretário-geral da Associação Turca dos Direitos Humanos, Nazmi Gur, sublinhando a necessidade de uma solidariedade nacional indispensável para a reconstrução do país.
Enquanto isto, prosseguem as buscas por sobreviventes sob os escombros, apesar de não mais haver esperanças de se achar pessoas com vida.
Os especialistas em resgate alemães, austríacos, suíços e japoneses já decidiram abandonar o país.
O governo negou que haviam sido suspensas as buscas de sobreviventes, enquanto cresce o temor de epidemias - por exemplo de tifo - que a remoção de escombros com milhares de vítimas sob as ruínas podem trazer devido à putrefação e falta de água.
Até agora o número oficial de mortos é de mais de 12.000, enquanto os feridos são 34.500.





