Governo e líderes do MST condenam 'milícias'
Dimitri do Valle
De Curitiba
A parceria entre fazendeiros e a Prefeitura de Catanduvas para a criação de milícias armadas não foi bem vista por representantes do governo do Estado e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os grupos teriam a missão de impedir invasões patrocinadas pelo MST e executar reintegrações de posse. O secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda, condenou a iniciativa. O governo não pode ser favorável a isso, disse.
A idéia das milícias foi defendida pelo prefeito de Catanduvas, Olímpio de Moura (PMDB). Tanto os ruralistas, como Moura, acreditam que elas poderiam receber treinamento do Exército e da Polícia Militar, um órgão do governo do Estado. Pretextato Taborda pensa diferente. O governo vê com preocupação a criação destes grupos. Pode haver um prejuízo maior do que os próprios produtores imaginam, afirmou o secretário, referindo-se a uma possível escalada da violência.
Propostas como a de Catanduvas, segundo Taborda, são também reflexos do comportamento do MST que vem ocupando áreas produtivas no Estado. Isso também ajuda a elevar a tensão no campo. A nossa preocupação é de que o MST pare de invadir áreas produtivas, o que eleva a convulsão no campo, ressaltou. O secretário informou que o governo conclamou líderes ruralistas a acalmar os ânimos em Catanduvas. Pedimos as lideranças do ambiente rural para evitar que isso chegue a se concretizar, assinalou.
Sobre as reclamações dos fazendeiros que criticam o governo paranaense de não cumprir os mandados de reintegração de posse, Pretextato Taborda salientou que o governo não se nega a cumpri-los, mas apenas está aguardando o momento oportuno, pois esperamos que o bom senso prevaleça, ou seja, que as famílias de sem-terra deixem as áreas. O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, pediu a intervenção do Ministério Público no caso. Baggio entendeu que a idéia de arregimentar seguranças armados é crime, pois trata-se de formação de quadrilha.
As milícias já existem, de fato, principalmente na região oeste do Estado, onde há muitos casos de grilagem de terras, observou. O coordenador do MST acusou o prefeito Olímpio Moura de ser um estimulador da violência e da ilegalidade que não contribuiu para resolver um problema social. Baggio solicitou que o governo paranaense dê um tratamento de polícia ao caso. A indicação de que fazendeiros estariam propensos a agir, através de grupos armados com o respaldo de um prefeito acontece no momento em que os sem-terra e o governo do Estado ensaiam uma nova aproximação. Desde a semana passada, representantes dos dois lados voltaram a se reunir para negociar a liberação de novos assentamentos e a remoção de famílias de áreas invadidas.





